
Política
Cláudio Castro renuncia ao governo do RJ antes de julgamento no TSE
Saída ocorre às vésperas de decisão que pode torná-lo inelegível

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deixa o cargo nesta segunda-feira (23), em cerimônia marcada para as 16h30 no Palácio Guanabara. A renúncia ocorre às vésperas da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que pode resultar na cassação de seu mandato e na declaração de inelegibilidade.
Mesmo fora do cargo, o processo continuará em tramitação, e Castro ainda poderá ser considerado inelegível. Até o momento, o placar no tribunal é desfavorável ao governador, com dois votos pela cassação.
A ação analisa denúncias do Ministério Público Eleitoral sobre um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro). Segundo as investigações, cerca de 27 mil servidores temporários teriam sido contratados sem transparência e utilizados durante a campanha eleitoral de 2022.
Há indícios de que parte desses trabalhadores atuou como cabos eleitorais de aliados, em um modelo que, segundo o processo, teria beneficiado diretamente candidaturas.
O julgamento teve início em novembro de 2025. A relatora, Isabel Gallotti, votou pela cassação e inelegibilidade de Castro, além de defender a realização de novas eleições. O ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou o entendimento, apontando um “método estruturado de promoção pessoal” com uso de recursos públicos. O caso foi interrompido por pedido de vista e será retomado com cinco ministros ainda a votar.
Transição e incertezas
Com a renúncia, o estado passa por uma situação atípica. Sem vice-governador, já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado, quem assume interinamente é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.
Ele deverá convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para definir quem governará o estado até o fim do mandato. No entanto, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal suspenderam regras aprovadas para esse processo, o que gera incertezas sobre o formato da escolha.
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