
Política
Lula diz que guerra contra o Irã é desnecessária e baseada em mentira
Declaração é feita na mesma semana em que conflito completa um mês, após Estados Unidos e Israel realizarem ofensiva militar contra país persa

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Na mesma semana em que completou um mês da ação conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a guerra contra o país persa e classificou o conflito como "desnecessário". Segundo Lula, a justificativa dos dois países sobre o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã é "mentirosa".
"Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira", disse o presidente nesta quarta-feira (1º), em Fortaleza, durante entrevista ao vivo à TV Cidade.
"Eu digo que é mentira porque eu fui, em 2010, ao Irã, fazer um acordo. E fizemos um acordo que, depois, os EUA não aceitaram nem a União Europeia. Fizemos um acordo para que o Irã pudesse enriquecer o urânio com os mesmo métodos que o Brasil, porque, aqui, nossa Constituição diz que a gente só pode utilizar para fins pacíficos", afirmou o chefe do executivo brasileiro.
O presidente fez menção ao último ano de seu segundo mandato, quando, durante uma visita oficial ao Irã, estruturou um acordo sobre enriquecimento de urânio para fins energéticos e não militares. O acordo acabou caindo pela falta de apoio do governo dos EUA, comandado na época por Barack Obama.
"Não tem arma nuclear lá. Ou seja, se tem uma divergência política entre Israel, Estados Unidos e Irã, não precisava terminar em guerra. Eles achavam que tinham acabado a guerra porque mataram o Khamenei. Não acabaram a guerra. O Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar", acrescentou o presidente.
Escalada do petróleo
Ainda na ocasião, o mandatário voltou a manifestar preocupação com a alta no preço do óleo diesel no Brasil, que depende da importação de 30% do que consome. Impactado pela volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional, o combustível é a base do transporte rodoviário de cargas, o que atinge cadeias produtivas de alimentos e produtos. Lula reafirmou que está em curso um monitoramento para identificar aumentos abusivos e que o governo tomou todas as medidas possíveis para conter o encarecimento.
"Nós estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia. [A fiscalização] está ativa, minha ordem é para estrada, posto de gasolina", disse. Segundo ele, a estatal diminui o preço, mas a medida não tem refletido na bomba. "A Petrobras baixa o preço, mas não chega na bomba. Quando a gente tinha a BR Distribuidora, podia chegar na bomba, porque o posto era nosso", observou Lula, comparando a situação atual com a que existia antes da privatização da BR Distribuidora, no governo Bolsonaro.
Entenda conflito
No dia 28 de fevereiro, Israel e Estados Unidos lançaram um grande ataque contra o Irã. A ofensiva resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei e deu início a uma guerra que se espalhou por outros países do Oriente Médio. A guerra começou em meio às negociações entre EUA e Irã para limitar o alcance dos mísseis iranianos e encerrar o programa nuclear do país. Washington afirma que Teerã estava próximo de desenvolver uma arma nuclear e um míssil capaz de atingir os americanos.
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