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PSD muda posição no STF e defende voto aberto em eleição indireta no Rio

Política

PSD muda posição no STF e defende voto aberto em eleição indireta no Rio

Partido de Eduardo Paes revê estratégia após sinais de derrota na Alerj

PSD muda posição no STF e defende voto aberto em eleição indireta no Rio

Foto: Luciola Villela/CMRJ

Por: Metro1 no dia 09 de abril de 2026 às 13:40

Um mês após defender o voto secreto em uma eventual eleição indireta para o governo do Rio de Janeiro, o PSD alterou sua posição durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), iniciado na terça-feira, e passou a apoiar que a votação seja aberta. A mudança ocorre em meio à avaliação de que o grupo ligado ao ex-prefeito Eduardo Paes tende a ser derrotado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), mesmo em um cenário de votação secreta.

Nos bastidores, aliados de Paes defendiam o sigilo do voto como a principal alternativa para enfrentar o grupo do deputado estadual Douglas Ruas (PL). Em uma espécie de termômetro político, Ruas obteve 45 votos no fim de março ao ser eleito presidente da Alerj, resultado posteriormente anulado pela Justiça por irregularidades no processo, mas interpretado como indicativo da correlação de forças na Casa.

Durante o julgamento no STF, o advogado do PSD, Thiago Fernandes Boverio, afirmou que, caso a Corte opte por uma eleição indireta, o ideal é que ela ocorra com transparência. “Se o STF entender que deva ser eleição indireta, que seja então preservada a oportunidade de uma votação aberta, para que a população conheça como foi essa votação” declarou.

A fala contrasta com a posição apresentada pelo próprio advogado em março, quando argumentou ao Supremo que o voto aberto comprometeria a legitimidade do processo eleitoral. Na ocasião, o PSD contestava a lei aprovada pela Alerj que previa votação nominal, aberta e presencial, defendendo o sigilo como forma de evitar pressões, compra de votos e coação sobre parlamentares.

O cenário político mudou após a condenação do então governador Cláudio Castro (PL) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no caso Ceperj. Castro renunciou ao cargo na véspera da decisão, o que levou o PSD a priorizar a defesa de eleições diretas, com participação popular, em vez da escolha indireta pela Assembleia.

Paralelamente, o partido buscava viabilizar uma candidatura competitiva na Alerj caso a eleição indireta fosse confirmada. Um dos nomes cotados, o deputado estadual Chico Machado, chegou a negociar filiação ao PSD, mas acabou ingressando no PL, fortalecendo o grupo de Ruas.

Além disso, a votação anulada para a presidência da Alerj também expôs fragilidades internas no PSD. Na ocasião, os deputados Lucinha e Munir Neto, ambos do partido, contrariaram a orientação de Paes e votaram em Ruas. Há ainda parlamentares recém-filiados ao PSD e ao MDB, aliado do ex-prefeito, considerados próximos ao grupo adversário.

Reservadamente, lideranças políticas avaliam que, apesar de ainda haver quem aposte em reviravolta com voto secreto, o cenário atual indica dificuldades para o grupo de Paes, independentemente do formato da votação.