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Cármen Lúcia diz que crise de confiança no STF é “grave”: "Precisamos do Poder Judiciário"

Política

Cármen Lúcia diz que crise de confiança no STF é “grave”: "Precisamos do Poder Judiciário"

Ministra reconhece falhas no Judiciário, mas defende papel da Corte na garantia de direitos

Cármen Lúcia diz que crise de confiança no STF é “grave”: "Precisamos do Poder Judiciário"

Foto: Luiz Roberto/TSE

Por: Metro1 no dia 17 de abril de 2026 às 16:18

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (17) que a crise de confiança da população no Judiciário, especialmente no Supremo, é “grave” e precisa ser reconhecida pelos próprios magistrados.

A declaração foi feita durante palestra na FGV Direito Rio, no Rio de Janeiro. Segundo a ministra, apesar de falhas e limitações, o Judiciário segue essencial para assegurar os direitos previstos na Constituição.

“Nós precisamos do Poder Judiciário. Ainda que seja, como tudo na experiência humana, limitado na imperfeição que é própria da humanidade. Cada vez precisa ser melhor, para que o Direito seja aplicado e o cidadão tenha mais confiança. A crise de confiabilidade no Poder Judiciário é séria, grave e precisa ser reconhecida”, afirmou.

Cármen também disse que tem ciência das críticas ao Supremo, mas destacou que há fatores externos que contribuem para o cenário.

“Nós temos no Brasil o problema da confiabilidade, principalmente no Supremo, tenho ciência disso. É preciso também saber o que há de equívocos e erros que precisam, sim, ser aperfeiçoados. Mas há um movimento internacional, que a gente sabe, para que não tenhamos Poder Judiciário”, declarou.

A ministra ainda apontou desafios estruturais do sistema, como o volume de processos. Segundo ela, o país tem cerca de 18 mil juízes para mais de 80 milhões de ações.

No discurso, Cármen defendeu o cumprimento das leis e criticou o desrespeito à Constituição, citando como exemplo o aumento de casos de feminicídio mesmo após a criação da Lei Maria da Penha.

“Nós somos ótimos para fazer leis. A Lei Maria da Penha é uma das mais conhecidas, e temos um índice de matança de nós mulheres que nos coloca em estado de sofrimento permanente pela prática de feminicídios todos os dias. Nós somos bons para fazer leis, mas não somos para cumprir. Temos uma lei de improbidade e somos agredidos por corrupção. A gente tem que aprender que Constituição é lei e é para ser cumprida. Não é aviso, sugestão, proposta ou conselho”, disse.

Ela também criticou o número elevado de propostas de emenda à Constituição no Congresso.

“Todo parlamentar quer um artigo na Constituição para chamar de seu. O que também é um desvio, porque a Constituição tem que ser apenas a norma fundamental, da qual se extrai a orientação, a interpretação básica e a definição de direitos fundamentais”, completou.