
Política
“Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles”, diz Lula em reação aos EUA
Reação brasileira ocorreu depois que os Estados Unidos solicitaram a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano

Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou nesta quarta-feira (22) a decisão da Polícia Federal (PF) de retirar as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília. A medida foi tratada pelo governo como uma resposta direta a uma ação semelhante feita pelos norte-americanos, em um episódio que envolve cooperação policial e relação diplomática entre os dois países.
Princípio da reciprocidade
Em manifestação pública, Lula afirmou que o governo brasileiro apenas reagiu a uma decisão anterior dos Estados Unidos. "Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", disse o presidente em vídeo nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues, diretor da PF, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O governo reforça que a medida não busca romper diálogo, mas equilibrar ações entre os países.
Origem da crise diplomática
A reação brasileira ocorreu depois que os Estados Unidos solicitaram a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano. Ele atuava em cooperação internacional e teria ligação com investigações envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. O Brasil considerou a decisão americana unilateral e sem diálogo prévio.
Posição oficial do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores informou a embaixada dos Estados Unidos sobre a aplicação da reciprocidade. Em nota, o órgão afirmou: "A medida tão pouco observa boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação". O governo brasileiro também destacou que o agente atuava dentro de um acordo formal de cooperação policial entre os dois países.
Caso Ramagem e cooperação internacional
O episódio tem ligação com o ex-deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por crimes como organização criminosa e tentativa de golpe de Estado. Após a condenação, ele deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos. Em operação conjunta, ele chegou a ser preso em Orlando, dentro de ações de cooperação entre autoridades dos dois países.
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