
Política
Lula aposta em relação com Trump e diz que “Brasil não vai se curvar aos EUA”
Em entrevista ao Washington Post, presidente afirma que divergências políticas não impedem diálogo com o governo americano e defende respeito ao Brasil nas relações bilaterais

Foto: Reprodução/TV Globo
Segundo Lula, divergências políticas não impedem o diálogo institucional entre os dois chefes de Estado.
“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse.
“Minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, prosseguiu.
A entrevista foi publicada em inglês e a Secretaria de Comunicação da Presidência não divulgou o material original da fala de Lula.
Esta é a primeira entrevista do presidente à imprensa internacional desde o encontro com Trump na Casa Branca, durante visita a Washington no início de maio. Na ocasião, os dois discutiram temas como comércio e relações bilaterais.
Segundo a reportagem, Lula também avalia que uma relação cordial com o chefe da Casa Branca pode contribuir para atrair investimentos dos Estados Unidos e garantir respeito à democracia brasileira.
Apesar disso, o presidente reforçou que não pretende se curvar às determinações norte-americanas, em linha com declarações recentes feitas no Brasil.
O jornal classificou a postura como uma “mudança drástica” em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que mantinha alinhamento ideológico e admiração pública por Trump.
“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse Lula. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”.
Lula também defendeu que os Estados Unidos tratem a América Latina como parceira e não como alvo, e citou a necessidade de retirada de sanções a países como Cuba e de mudanças na política norte-americana em relação à Venezuela.
“A China descobriu e entrou na América Latina”, disse ele. “Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil.”
“Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila”, declarou, “ótimo. Mas eles precisam querer isso.”
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