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Vorcaro tratou filme "Dark Horse" como prioridade máxima em meio a pendências milionárias, diz site

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Vorcaro tratou filme "Dark Horse" como prioridade máxima em meio a pendências milionárias, diz site

Intercept Brasil revelou que dono do Banco Master determinou prioridade aos aportes para o projeto ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL) mesmo diante de dezenas de milhões em pagamentos pendentes

Vorcaro tratou filme "Dark Horse" como prioridade máxima em meio a pendências milionárias, diz site

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Divulgação/Banco Master

Por: Metro1 no dia 02 de junho de 2026 às 15:51

Atualizado: no dia 02 de junho de 2026 às 15:56

Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil indicam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, determinou tratamento prioritário aos pagamentos relacionados ao “Dark Horse”, filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cujo financiamento contou com a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mesmo em um período em que acumulava dezenas de milhões em desembolsos pendentes.

Segundo a reportagem, a mudança de prioridade ocorreu após uma cobrança encaminhada ao banqueiro em janeiro de 2025. No dia 20 daquele mês, data prevista para o primeiro aporte do cronograma financeiro do projeto, o empresário Thiago Miranda, apontado como responsável por aproximar Flávio e Vorcaro, enviou uma mensagem ao banqueiro cobrando agilidade na operação. “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”, escreveu.

Miranda também encaminhou uma conversa atribuída ao senador. Na mensagem, o senador pede que o empresário pressione o setor jurídico do investidor para destravar a negociação.

“Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”, escreveu Flávio. Em seguida, acrescentou: “Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só”. O senador encerra a mensagem afirmando: “Ela me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”.

Prioridade nos pagamentos

De acordo com o Intercept, as conversas mostram que, naquele período, a execução dos pagamentos pessoais e empresariais de Vorcaro era coordenada por Fabiano Zettel, empresário, pastor e cunhado do banqueiro.

Em uma das trocas de mensagens, Zettel informa que havia 55,5 milhões em pagamentos pendentes. Apesar disso, Vorcaro passou a demonstrar preocupação específica com os recursos destinados ao filme.

No dia 21 de janeiro, ao ser informado sobre a situação dos desembolsos, o banqueiro questionou diretamente: “O filme ta nesse negocio?”. Zettel respondeu que não e justificou que o fluxo de pagamentos era elevado.

Pouco mais de uma semana depois, em 28 de janeiro, Vorcaro voltou a cobrar informações sobre o projeto. “Filme vc pagou?”, perguntou. Zettel respondeu: “Irmão, Não vem 1 real tem 3 semanas… kkkkkkk Paguei foi nada…”.

Zettel, responsável pelos pagamentos, informou ainda que o projeto não estava incluído na lista das prioridades financeiras em andamento. Foi então que Vorcaro respondeu: “Esse e o mais importante disparado”. Em seguida, acrescentou: “Nao pode falhar mais”.

Aportes milionários

A reportagem afirma que os diálogos coincidem com um período em que o Banco Master enfrentava dificuldades relacionadas à liquidez, captação de recursos e monitoramento regulatório. Ainda assim, as mensagens apontam que Vorcaro acompanhava pessoalmente a liberação dos recursos destinados ao filme.

Documentos obtidos anteriormente pelo Intercept mostram que o planejamento financeiro previa aportes de quase US$ 24 milhões para o projeto cinematográfico, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões pela cotação da época.

Ainda de acordo com o site, até maio de 2025 pelo menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do filme e controlado por Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O Intercept informou ter procurado Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para comentar as informações reveladas. Segundo a publicação, não houve retorno até o momento, e o espaço permanece aberto para manifestações.