
Política
Após mal-estar gerado por tarifaço, Flávio Bolsonaro envia carta a Rubio em que diz ser contra medida
Pré-candidato do PL à Presidência pede que EUA não imponham tarifas e agradece inclusão do PCC e CV na lista terrorista

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Após os Estados Unidos anunciarem a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras nesta segunda-feira (1º), medida que gerou mal-estar entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o pré-candidato do PL à Presidência divulgou à imprensa um ofício para o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
No documento, redigido em inglês, Flávio manifesta preocupação com a possibilidade de novas tarifas contra o Brasil. Ele afirma que o país enfrenta uma crise fiscal, com dívida pública acima de 80% do Produto Interno Bruto. O senador também agradeceu a decisão dos EUA de incluir as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas.

Veja abaixo trechos traduzidos da carta:
Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
[...]
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil.
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