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Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa

Política

Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa

Relatório cita produção de gado brasileira para justificar sobretaxa de 12,5%, mas produto ficou fora da lista de itens afetados

Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa

Foto: Official White House/Daniel Torok

Por: Metro1 no dia 03 de junho de 2026 às 12:54

Os Estados Unidos acusaram o Brasil de utilizar trabalho forçado na produção de gado e propuseram a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de países que, segundo Washington, falham em impedir a importação de mercadorias produzidas nessas condições. Apesar disso, a carne bovina brasileira está entre os produtos que devem ficar isentos da medida, assim como aviões, café, suco de laranja, petróleo, terras raras e metais.

A proposta foi anunciada nesta terça-feira (2), após uma investigação do governo americano concluir que 60 países, entre eles Brasil e China, não adotam mecanismos considerados suficientes para barrar a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado. O relatório cita a pecuária brasileira e afirma que o uso dessa prática no setor é "amplamente documentado", citando pesquisas independentes e listas oficiais do governo dos EUA.

Segundo o documento, a presença de produtos associados ao trabalho forçado teria contribuído para a perda de competitividade da carne norte-americana no mercado chinês. O texto sustenta que, caso existissem proibições mais efetivas, os Estados Unidos poderiam ter ampliado suas exportações e receitas com vendas de carne bovina para a China.

Apesar das críticas, diversos tipos de carnes congeladas foram incluídos na lista de exceções da nova tarifa. A medida integra uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e foi anunciada um dia após o governo americano propor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras.

As novas tarifas ainda não entrarão em vigor imediatamente. A proposta passará por consulta pública e revisão, com audiências previstas para começar em 7 de julho. O relatório adota a definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo a qual trabalho forçado é qualquer atividade realizada sob ameaça de penalidade e sem consentimento voluntário, condição que atualmente afeta cerca de 27,6 milhões de pessoas no mundo.