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Nunes Marques barra divulgação de pesquisa que apontava desgaste de Flávio Bolsonaro

Política

Nunes Marques barra divulgação de pesquisa que apontava desgaste de Flávio Bolsonaro

Decisão cita indícios de viés metodológico e possível indução de respostas por meio da formulação do questionário

Nunes Marques barra divulgação de pesquisa que apontava desgaste de Flávio Bolsonaro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 08 de junho de 2026 às 14:01

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel que apontava desgaste na imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão das cobranças feitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao analisar uma ação apresentada pelo PL, o ministro considerou haver elementos que indicam possível comprometimento da neutralidade metodológica do levantamento. Segundo a decisão, existem indícios de que a sequência das perguntas e o uso de expressões com conotação negativa poderiam ter influenciado as respostas dos entrevistados.

“A permanência da circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral”, afirmou Nunes Marques.

Com a decisão, a AtlasIntel fica impedida de divulgar, impulsionar, republicar ou manter a pesquisa em circulação até novo posicionamento da Corte sobre o caso.

O PL argumentou que o questionário teria induzido os entrevistados a avaliar negativamente Flávio Bolsonaro ao abordar questões relacionadas ao chamado escândalo Master antes das perguntas sobre imagem e intenção de voto. Para o ministro, a legenda apresentou elementos “minimamente consistentes” que justificam a análise aprofundada da metodologia adotada.

Na decisão, Nunes Marques também apontou divergências entre o questionário questionado e outros levantamentos registrados pela Atlas junto à Justiça Eleitoral. Além disso, mencionou declarações públicas do CEO da empresa que, segundo o magistrado, reforçariam a tese de possível viés político no conteúdo submetido aos entrevistados.

O ministro avaliou que há “indícios relevantes de comprometimento” da metodologia e destacou que a eventual utilização de estímulos indutivos poderia contaminar respostas relacionadas à imagem, rejeição e intenção de voto do parlamentar.

A AtlasIntel terá prazo de dois dias para apresentar documentação técnica complementar sobre os pontos contestados pelo PL. Após essa etapa, o Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar antes de o processo retornar ao TSE para julgamento definitivo sobre a validade da pesquisa.