Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Política

/

Missão reconhece falhas em sistema após filiação de Flávio Bolsonaro e pede investigação ao TSE

Política

Missão reconhece falhas em sistema após filiação de Flávio Bolsonaro e pede investigação ao TSE

Partido afirma que vulnerabilidades permitiram alteração indevida e entrega à Corte dados usados no cadastro do senador

Missão reconhece falhas em sistema após filiação de Flávio Bolsonaro e pede investigação ao TSE

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Por: Metro1 no dia 14 de agosto de 2026 às 16:48

O partido Missão reconheceu ter falhas em seu sistema interno de filiação que podem ter permitido a inclusão indevida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na legenda. Em representação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira (14), o partido pediu a investigação do caso e afirmou ter sido vítima de fraude.

Flávio apareceu na quinta-feira (13) como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral e, por isso, não conseguiu registrar inicialmente sua candidatura à Presidência pelo PL. Horas depois, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão do histórico partidário.

O TSE negou que os sistemas da Corte tenham sido alvo de ataque hacker e informou que a alteração foi feita por uma pessoa com credencial do Missão. Após identificar outras tentativas de mudança de filiação, o tribunal suspendeu o processamento de novas filiações partidárias.

Na representação, o Missão afirma que houve uma falha em seu sistema de filiação, mas nega que dirigentes ou integrantes autorizados pelo partido tenham agido de forma intencional.

Segundo a legenda, o sistema próprio de filiação foi automatizado para facilitar o cadastro de novos integrantes. O partido afirma que essa estrutura pode ter permitido que terceiros explorassem falhas nos mecanismos de controle.

O Missão compartilhou com o TSE o endereço de IP utilizado para realizar a filiação de Flávio e anexou registros que indicariam a abertura de e-mails enviados ao endereço oficial do mandato do senador e o acesso a links dessas mensagens nos dias anteriores à alteração.

A legenda também afirma que os dados utilizados no cadastro foram adulterados. Entre as informações inseridas no sistema estavam um endereço falso e divergente dos dados oficiais do senador.

“Como forma de facilitar a operação no recebimento e consequente cadastro dos filiados, o partido automatizou o seu próprio sistema de filiação, o que aparentemente pode ter facilitado a prática do crime consistente no lançamento fraudulento da filiação de Flávio Bolsonaro”, diz a representação.

O partido afirma ainda que não teria interesse em prejudicar Flávio Bolsonaro porque notificações sobre a alteração foram encaminhadas ao endereço eletrônico oficial do senador.

Flávio confirmou ter recebido os e-mails, mas afirmou que seu gabinete considerou as mensagens como spam.

Boletim de ocorrência

Segundo o Missão, assim que identificou a alteração, o partido iniciou uma apuração interna e comunicou o caso ao TSE. A legenda também registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Federal.

De acordo com a representação, o setor de tecnologia do partido conseguiu recuperar informações utilizadas no cadastro e identificou alterações no CPF e no endereço registrados no sistema.

Outras tentativas

O TSE informou que também identificou tentativas de alteração da filiação de outros candidatos, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse caso, porém, a mudança não chegou a ser efetivada.

Diante das ocorrências, a Corte suspendeu o processamento de novas filiações no Sistema de Filiação Partidária (FILIA).

O prazo para filiação partidária de candidatos às eleições de outubro terminou em 4 de abril. A filiação ao partido pelo qual o candidato pretende concorrer é uma das condições de elegibilidade previstas na legislação eleitoral.