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Petista questiona apuração sobre suposta perseguição policial a motorista após deixá-lo em casa em São Paulo

Foto: Reprodução
O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (17) que a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode ter analisado as câmeras erradas na investigação sobre a suposta perseguição policial relatada por seu motorista após deixá-lo em casa, na Zona Sul da capital paulista.
A declaração ocorreu um dia após Tarcísio afirmar que a Polícia Militar analisou mais de 70 câmeras e concluiu que não houve perseguição, classificando o episódio como uma “falsa comunicação” de crime.
O motorista de Haddad prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda, quase uma semana após o episódio. Para o petista, o fato de ele ter sido ouvido somente agora demonstra uma inversão na condução da apuração.
“Já começa o meu estranhamento pelo fato de que a pessoa que está pedindo socorro do Estado é a última a ser ouvida. Em geral, você ouve e depois investiga. Aqui está havendo uma inversão dos fatos”, afirmou.
Segundo Haddad, o motorista sustenta que uma viatura da PM parou nas proximidades do hotel onde ele buscou abrigo após perceber que estava sendo seguido. A versão divulgada pelo governo, porém, é de que o veículo policial apenas passou pelo local e continuou o patrulhamento.
“A afirmação ontem foi de que a viatura não estacionou, não ficou lá. E ele está levando a informação para o delegado de que ela estacionou”, disse Haddad.
O candidato também afirmou que as imagens divulgadas não mostram o local onde a viatura teria parado.
“As imagens que foram divulgadas não pegam o local do estacionamento. Ela passa pelo carro e corta no capô. Você só consegue ver o carro do motorista. O que aconteceu com a viatura depois que passou por ele, você não vê”, acrescentou.
Questionado sobre a análise de cerca de 70 câmeras feita pela Polícia Militar, Haddad afirmou que o resultado pode não ser suficiente para esclarecer o episódio.
“Depende da câmera que você analisou. Você pode investigar 100 câmeras, e daí? Mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras que estão no local e que poderiam comprovar a narrativa do motorista. Eu tenho que pegar a imagem certa. Porque aquela câmera não desmente que a viatura parou, já que você não vê o que acontece com ela depois”, afirmou.
Governo fala em “falsa comunicação”
No domingo (16), Tarcísio afirmou que a PM analisou mais de 70 câmeras de monitoramento e cruzou as imagens com dados de geolocalização das viaturas. Segundo o governador, a apuração não encontrou evidências de perseguição ou abordagem ao motorista de Haddad.
“A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo, porque, se houvesse algum problema, se houvesse algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente aqueles que atuaram no desvio de conduta. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, declarou.
Tarcísio afirmou ainda que algumas viaturas cruzaram o trajeto do motorista, mas que seguiram os itinerários normais de patrulhamento.
Relembre o caso
Haddad afirmou na última semana que seu motorista foi seguido por uma viatura da Polícia Militar após deixá-lo em casa na noite de 11 de agosto, em São Paulo.
Segundo a campanha do petista, o motorista percorreu cerca de cinco quilômetros até parar em um hotel, onde buscou proteção por haver câmeras de segurança. O caso levou a campanha a apresentar uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral.
A Secretaria da Segurança Pública abriu uma apuração sobre o episódio e informou que, até o momento, não encontrou indícios de abordagem irregular ou interação entre policiais militares e integrantes da equipe de Haddad. A investigação agora é conduzida pela Polícia Civil.
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