
Política
Jornalista que publicou textos sobre Dino enfrenta julgamento por suposta rede de extorsão
Luís Pablo é acusado de integrar grupo que cobraria dinheiro para não divulgar informações sigilosas

Foto: Gustavo Moreno/STF
O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida será julgado em dezembro por suspeita de integrar uma rede de extorsão contra políticos e empresários do Maranhão. Réu em processo na 2ª Vara Criminal do Maranhão, ele também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após publicar textos sobre o ministro Flávio Dino. As informações são da Folha de S.Paulo.
Acusações no Maranhão
Segundo as investigações da Operação Turing, deflagrada em 2017, Luís Pablo faria parte de um grupo de blogueiros que recebia de um policial federal informações sigilosas sobre investigações em andamento. O grupo seria responsável por cobrar dinheiro dos alvos para não divulgar os dados na internet. Os valores investigados variavam de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil.
A investigação aponta que pessoas supostamente extorquidas usavam os dados vazados para escapar das apurações ou destruir provas. Luís Pablo chegou a ser preso durante a operação, mas foi solto horas depois. O jornalista nega as acusações e afirma que testemunhas ouvidas no processo disseram não ter sido coagidas ou extorquidas por ele. A defesa também questiona a validade das interceptações telefônicas usadas como prova.
Julgamento em dezembro
Na terça-feira (18), a Justiça marcou para 15 de dezembro a audiência do processo. Luís Pablo responde por participação em organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e obstrução da Justiça. Antônio Marcelo Rodrigues da Silva, conhecido como Marcelo Minard, também é réu no caso e será julgado em dezembro.
O caso ganhou novo capítulo após publicações de Luís Pablo sobre Flávio Dino. Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas contra pessoas apontadas como fontes do jornalista. A decisão levantou questionamentos sobre o sigilo da fonte e os limites da atividade jornalística. Moraes afirmou que havia suspeitas de crimes relacionados à segurança de Dino e de sua família e declarou: “O sigilo da fonte não pode ser utilizado como escudo para a prática de atos ilícitos”.
Investigações sobre Dino
O STF informou que as buscas estavam relacionadas a suspeitas de monitoramento ilegal dos procedimentos de segurança de Dino. Entre os elementos citados estão a divulgação de placas de veículos usados pelo ministro e dos nomes de agentes responsáveis por sua proteção. Em relatório, a Polícia Federal afirmou que não foi possível confirmar que Luís Pablo recebeu dinheiro para publicar reportagens negativas sobre Dino.
O jornalista afirma que não monitorou o ministro e que a decisão judicial prejudica a imprensa. Dino também se manifestou sobre o caso e declarou: “Não existem liberdades para mentir, agredir, perseguir, ameaçar, atacar, matar. Tampouco para tentar intimidar juízes”. Na sexta-feira (21), Moraes absolveu sumariamente Marcelo Minard de acusações de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em outro processo derivado da Operação Turing. A decisão, porém, não encerra o processo sobre a suposta rede de extorsão, no qual ele continua sendo réu ao lado de Luís Pablo.
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