
Política
Vice-prefeita é alvo de operação da PF sobre investimento de R$ 1,2 milhão no Banco Master
Casa e gabinete da vice-prefeita e secretária municipal de Campo Grande (MS) foram alvo de buscas nesta terça-feira (25); investigação apura possíveis irregularidades em recursos da Previdência municipal

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A casa e o gabinete da vice-prefeita de Campo Grande e secretária municipal de Assistência Social, Camilla Nascimento, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal nesta terça-feira (25).
As medidas fazem parte da Operação Presciência, que investiga possíveis irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão de recursos da Previdência municipal em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão. A operação foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, que também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Investigação
As apurações tiveram início a partir de informações de um relatório de auditoria elaborado pelo Ministério da Previdência Social. De acordo com a Polícia Federal, o documento apontou possíveis irregularidades no processo que resultou na decisão de aplicar R$ 1,2 milhão no Banco Master.
A investigação também identificou indícios de que servidores envolvidos na decisão, por ação ou omissão, não teriam seguido os procedimentos técnicos e administrativos previstos para esse tipo de investimento. A suspeita é de que as condutas tenham exposto os recursos da Previdência municipal a riscos.
Camilla Nascimento presidiu o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) entre agosto de 2017 e 2024.
Valores recuperados
Apesar da investigação, o IMPCG informou que conseguiu recuperar, em março deste ano, os R$ 1,2 milhão aplicados no Banco Master. O valor havia ficado retido após a liquidação da instituição financeira.
Para reaver os recursos, o município entrou com uma ação de compensação de créditos e pediu uma decisão urgente à Justiça. Segundo informações divulgadas anteriormente, havia o risco de o dinheiro permanecer bloqueado por até três anos.
Além de Campo Grande, os municípios de Jateí, Angélica e Fátima do Sul também haviam aplicado recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões no Banco Master. Não há informações sobre a recuperação dos valores pelos respectivos institutos de previdência.
A devolução dos recursos, no entanto, não impede a continuidade da investigação sobre as circunstâncias e os procedimentos adotados para a realização do investimento.
O que diz o IMPCG?
Em nota, o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande informou que acompanha as investigações e afirmou que o procedimento faz parte de um contexto de apurações realizadas em todo o país.
O órgão também declarou que Campo Grande foi uma das primeiras cidades brasileiras a conseguir o ressarcimento dos valores aplicados na instituição financeira investigada, evitando prejuízo aos cofres públicos.
Segundo o IMPCG, o investimento foi realizado em abril de 2024, com vencimento previsto para abril de 2029. Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, o município entrou com uma ação judicial e conseguiu uma decisão favorável para recuperar o valor aplicado, devidamente atualizado.
A Prefeitura de Campo Grande afirmou ainda que segue prestando os esclarecimentos e informações necessários às autoridades.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

