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Vorcaro admite ter dado “agrado” a servidor do BC com viagem à Disney

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Vorcaro admite ter dado “agrado” a servidor do BC com viagem à Disney

Ex-dono do Banco Master negou pagamento de vantagens indevidas, mas afirmou à Polícia Federal ter oferecido serviço de concierge à família de Paulo Sérgio Neves de Sousa

Vorcaro admite ter dado “agrado” a servidor do BC com viagem à Disney

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 04 de setembro de 2026 às 18:52

Daniel Vorcaro negou à Polícia Federal (PF) ter pago vantagens indevidas a dois servidores do Banco Central (BC) investigados por suspeita de atuação em favor do Banco Master. O ex-dono da instituição, no entanto, admitiu ter oferecido um “agrado” a Paulo Sérgio Neves de Sousa durante uma viagem da família do servidor à Disney, nos Estados Unidos.

O depoimento, revelado pelo Metrópoles e ao qual a TV Globo também teve acesso, foi prestado na sexta-feira (28), no âmbito do inquérito que investiga a relação de Vorcaro com Paulo Sérgio e Belline Santana.

Os dois são suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em benefício do Banco Master.

Segundo Vorcaro, Paulo Sérgio comentou, durante uma reunião, que viajaria com a família para a Disney. O empresário afirmou então que ofereceu um serviço de concierge que já mantinha nos Estados Unidos.

“Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas. Ele ressarciu? Ele pagou por esse serviço ou não? Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque eu ofereci como um agrado”, declarou Vorcaro.

O ex-banqueiro afirmou que o serviço era utilizado também por amigos e conhecidos e negou que a situação representasse pagamento de vantagem indevida.

Servidores são investigados

Paulo Sérgio Neves de Sousa ocupava o cargo de diretor de Fiscalização do Banco Central. Ele e Belline Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária, foram afastados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), em março.

Ambos são investigados por suspeita de atuação inadequada na fiscalização do Banco Master antes da liquidação da instituição, ocorrida após o agravamento da crise do banco, no fim de 2025.

As investigações apontam que os servidores teriam fornecido orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do Banco Central envolvendo o Master.

A Polícia Federal também apura suspeitas de que eles revisavam documentos enviados pelo banco à autoridade monetária, sugeriam alterações e repassavam informações que permitiriam a Vorcaro se antecipar a eventuais medidas do BC.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Defesas se manifestaram

Em nota divulgada após o depoimento, a defesa de Vorcaro afirmou que aquela foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro para se manifestar diretamente sobre parte dos fatos investigados.

Segundo os advogados, ele respondeu aos questionamentos de forma “clara e consistente” e sustentou que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito.

Já a defesa de Paulo Sérgio afirmou que todos os custos da viagem dele e de sua família para Orlando, na Flórida, foram pagos pelo próprio servidor e estão “devidamente comprovados”.

Os advogados também sustentaram que não existem elementos de prova que permitam concluir que Paulo Sérgio ou sua equipe tenham beneficiado Daniel Vorcaro.