
Política
Número dois da PF defende Andrei Rodrigues após afastamento e fala em resistência a ataques
Diretor-geral cancelou participação em evento na Academia Nacional de Polícia após saber da decisão de André Mendonça; julgamento do caso foi suspenso por pedido de vista

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, cancelou nesta terça-feira (8) sua participação em um evento na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, após ser informado sobre a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou seu afastamento preventivo do cargo.
Rodrigues soube da decisão pouco antes de discursar na abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agentes da Polícia Federal. Os alunos aguardaram cerca de 50 minutos até que William Marcel Murad, diretor-executivo e segundo na hierarquia da corporação, fosse anunciado como substituto na cerimônia.
Durante o evento, realizado no Teatro de Arena da Academia Nacional de Polícia, Murad fez uma defesa pública de Rodrigues e afirmou que a instituição não se deixará abalar por ataques.
"Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade como tantas vezes o fizemos", declarou Murad.
Segundo o diretor-executivo, a atuação dos investigadores é "técnica, imparcial e livre de qualquer viés político". "Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, e comprometidos exclusivamente com o interesse público nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá", prosseguiu.
Murad também afirmou que tentativas de descredibilizar o trabalho da Polícia Federal não terão impacto sobre a corporação. Ele destacou ainda o que classificou como dever de defender a instituição contra "ataques e tentativas de usurpação de funções", afirmando que o respeito às atribuições de cada órgão é necessário para garantir a legalidade das investigações e futuras condenações.
Afastamento determinado por Mendonça
Além de Rodrigues, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal.
A decisão também suspendeu a produção e a circulação de relatórios de inteligência destinados à análise de atos relacionados às funções do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária.
Segundo Mendonça, a medida contra Rodrigues está relacionada à elaboração de um relatório interno da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes para pedir uma investigação contra o próprio ministro.
Moraes apontou possíveis crimes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos Banco Master e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A medida cautelar também busca apurar as circunstâncias da produção de relatórios apócrifos de inteligência que teriam monitorado autoridades, incluindo o próprio André Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Bastidores e transição
Nos bastidores da Polícia Federal, interlocutores relataram um ambiente de "indignação e revolta" entre integrantes da cúpula da corporação. Segundo essas fontes, a decisão de afastamento é encarada internamente como uma medida política.
Fontes da PF afirmaram ainda que Andrei Rodrigues não havia sido formalmente notificado da decisão do Supremo até aquele momento.
O planejamento interno prevê que, assim que receber a intimação judicial, Rodrigues cumpra a determinação e deixe a direção-geral da corporação, que deverá ser assumida por William Marcel Murad.
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