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Maierovitch classifica decisão de Mendonça contra chefe da PF de "perigosa e ilegal"

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Maierovitch classifica decisão de Mendonça contra chefe da PF de "perigosa e ilegal"

Em comentário ao UOL News, jurista especializado em Direito Penal diz que ministro do Supremo ultrapassou os limites da sua competência ao interferir diretamente no Poder Executivo

Maierovitch classifica decisão de Mendonça contra chefe da PF de "perigosa e ilegal"

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 08 de setembro de 2026 às 15:09

Um dos mais renomados especialistas em Direito Penal do país, o jurista Wálter Maierovitch classificou como “perigosa, inconstitucional, arbitrária e ilegal” a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF). A avaliação foi feita nesta terça-feira (8), durante participação no programa UOL News, horas após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter a medida determinada por meio de liminar.

Para Maierovitch, a decisão viola a independência entre os Poderes. Na ocasião, o jurista lembrou que a PF é um órgão do Executivo e que, embora exerça funções de polícia judiciária e atue como auxiliar do Judiciário, ela não está subordinada ao STF. Ao afastar Rodrigues a partir de uma representação apresentada pelo Partido Novo, destacou Maierovitch, Mendonça ultrapassou os limites de sua competência e interferiu diretamente em outro Poder.

“Existe relação de coordenação, relação de auxílio, mas não de subordinação”, afirmou o jurista, para quem essa distinção é fundamental para compreender a gravidade da medida. Maierovitch também chamou a atenção para o fato de a decisão ter sido inicialmente tomada de forma monocrática, antes de ser submetida à Segunda Turma. A maioria do colegiado decidiu manter o afastamento, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que pretende recorrer e levar a discussão ao plenário do Supremo.

Maierovitch também apontou uma contradição dentro do próprio STF envolvendo o relatório de inteligência da PF que está no centro da crise. Mendonça considerou o documento “apócrifo” e apontou irregularidades em sua produção, utilizando-o como um dos elementos para determinar o afastamento de Andrei Rodrigues. Ao mesmo tempo, segundo o jurista, o presidente do Supremo, Edson Fachin, deu andamento a uma representação que utilizava o mesmo documento. 

“Um afasta o diretor-geral da Polícia Federal, o outro não considera inepta a representação, e leva em conta esse documento e manda processar”, afirmou. O jurista salientou também que a decisão de Mendonça abre um precedente institucional perigoso, ao permitir que um ministro do STF retire do cargo o dirigente máximo de um órgão que pertence ao Executivo.

Quem é Maierovitch
Professor de Direito Penal e Processual Penal e desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Walter Fanganiello Maierovitch ganhou notoriedade internacional como expert em criminalidade organizada, máfia e combate às drogas. Foi fundador e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais e ocupou o cargo de secretário nacional antidrogas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Também atuou como especialista da ONU em criminalidade transnacional e foi professor-visitante da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.

Pelo trabalho de combate às organizações mafiosas, recebeu do governo italiano o título de Cavaliere della Repubblica. É autor de livros sobre criminalidade e segurança pública e, em 2022, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Sociais por Máfia, Poder e Antimáfia: um olhar pessoal sobre uma longa e sangrenta história. Atualmente, atua como comentarista e colunista em veículos de imprensa, entre eles o UOL.