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Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propinas pagas por Vorcaro

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Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propinas pagas por Vorcaro

João Carlos Mansur fechou acordo com a PGR e afirma que gestora foi usada para esconder pagamentos a autoridades; colaboração ainda precisa ser validada pelo STF

Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propinas pagas por Vorcaro

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Divulgação/Banco Master

Por: Metro1 no dia 10 de setembro de 2026 às 11:48

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag, afirmou em delação premiada fechada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos de investimentos administrados pela gestora foram utilizados para ocultar supostos pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas.

A colaboração foi encaminhada na última semana ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda aguarda validação. A Polícia Federal participou das negociações iniciais, mas não deu continuidade às tratativas.

Segundo pessoas familiarizadas com o conteúdo do acordo, Mansur detalha a participação da Reag e dos fundos administrados pela empresa nas operações atribuídas ao esquema do Master. Ele também teria fornecido informações sobre pessoas que atuavam como laranjas de Vorcaro.

Delação pode ajudar na recuperação de dinheiro

Além de reforçar suspeitas que já vinham sendo investigadas pela Polícia Federal desde o ano passado, a colaboração apresenta, segundo investigadores, informações mais detalhadas sobre a movimentação financeira do esquema. O empresário teria relatado como os recursos eram movimentados, indicado valores enviados para o exterior e fornecido elementos que podem auxiliar na localização e recuperação do dinheiro.

Parte dos recursos investigados está fora do Brasil, mantida em empresas offshore. A colaboração pode facilitar a repatriação de valores sem que seja necessário recorrer, em todos os casos, a acordos específicos com autoridades estrangeiras, o que pode evitar a cobrança de percentuais sobre os valores recuperados.

Como parte do acordo, Mansur também se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões, conforme revelado pelo UOL.

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não teve acesso aos anexos da delação e, por isso, não poderia se manifestar sobre o conteúdo. A defesa de Mansur não respondeu aos contatos da reportagem.

Reag entrou no radar das investigações

A Reag, que chegou a ser uma das maiores gestoras independentes do país, passou a ser alvo de diferentes investigações nos últimos anos. Mansur deixou a presidência do Conselho de Administração da empresa em setembro de 2025, em meio à crise provocada pela Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. A Reag estava entre os principais alvos e foi acusada de ter mantido recursos de origem criminosa em fundos sob sua gestão.

No início deste ano, Mansur foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master. Ele não foi preso e não está detido.

Pouco depois, o Banco Central determinou a liquidação da Reag. Segundo o órgão, a medida ocorreu diante do “comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.

Suspeita de propina envolvendo ex-presidente do BRB

As investigações da PF também apontaram suspeitas de que Mansur teria utilizado fundos da Reag para ocultar pagamentos de propina relacionados a imóveis destinados a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).

Costa também tentou firmar um acordo de delação com as autoridades, mas as negociações não avançaram. Atualmente, ele está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde também está detido Daniel Vorcaro.

As conversas de Mansur com a PGR começaram em fevereiro e foram concluídas em agosto. Inicialmente, o empresário buscava negociar uma colaboração simultaneamente com Vorcaro, que teve duas propostas rejeitadas pela PF e pela PGR.

Na época, os dois eram representados pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca. Posteriormente, Mansur trocou de defesa e passou a ser representado por Aloisio Lacerda Medeiros, especialista em crimes contra o sistema financeiro.

Duas delações atingem entorno de Vorcaro

A colaboração de Mansur foi fechada no mesmo período em que a PGR firmou acordo com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Dono de uma empresa apontada como responsável por operações financeiras relacionadas ao envio de recursos que teriam financiado o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), Mineiro também era próximo de Vorcaro.

Ele relatou às autoridades que atuava em operações de remessa de dinheiro e na obtenção de valores em espécie para o empresário. Segundo o depoimento, parte do dinheiro era transportada em malas devido ao volume das quantias.

As duas delações passaram a ser consideradas pelos investigadores como um fator que reduz o espaço de negociação de Vorcaro para uma eventual nova tentativa de colaboração.

O ex-banqueiro prestou depoimento ao gabinete de Mendonça no fim de agosto. Na ocasião, voltou a se apresentar como vítima do sistema e alvo de perseguição do Banco Central.

Segundo investigadores, as declarações reforçaram a avaliação de que Vorcaro não demonstra disposição concreta para fechar um acordo de colaboração e tampouco reconheceria, até o momento, como crimes as suspeitas de fraude atribuídas ao Banco Master.