
Política
Ex-presidente do BRB disse a Vorcaro que Banco Master 'NUNCA deixará de ser o SEU'
Mensagens analisadas pela PF mostram diálogo sobre a negociação entre as instituições, que acabou barrada pelo Banco Central

Foto: Rafael Lavenère/BRB
O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que a instituição continuaria sendo dele mesmo após a conclusão da venda para o BRB. A declaração aparece em mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal (PF) e divulgadas nesta quinta-feira (10). A operação de compra, porém, acabou sendo barrada pelo Banco Central (BC) no ano passado.
A conversa ocorreu em 18 de abril de 2025. Na ocasião, Paulo Henrique disse que pretendia viajar a São Paulo para conhecer a sede do Master. Vorcaro respondeu que estaria em Brasília, mas autorizou a visita em outro momento. Em seguida, o então presidente do BRB afirmou: "Ele NUNCA deixará de ser o SEU banco". Para a PF, a ênfase dada às palavras indicaria um compromisso de Paulo Henrique em atender aos interesses de Vorcaro e manter o controle efetivo do Master com o banqueiro.
Conversas sobre o projeto de compra
O relatório também apresenta diálogos anteriores à negociação. Em janeiro de 2025, Paulo Henrique encaminhou a Vorcaro um acordo de confidencialidade firmado entre o BRB e o Master para viabilizar a operação. Na conversa, o então presidente do BRB perguntou se o banqueiro queria dar um nome ao projeto. Vorcaro respondeu que Paulo Henrique era o "capitão", e ele sugeriu o nome "Vértice", em referência ao encontro de forças para a criação de algo novo. O projeto de aquisição recebeu oficialmente esse nome dentro do BRB.
Na avaliação da Polícia Federal, as mensagens reforçam que Paulo Henrique atuava para viabilizar a compra do Master pelo banco público. O relatório também detalha conversas relacionadas a seis apartamentos que, segundo a investigação, teriam sido oferecidos por Vorcaro ao então presidente do BRB como propina. Os imóveis foram avaliados pela PF em aproximadamente R$ 146 milhões.
Em outubro de 2024, Paulo Henrique também informou a Vorcaro que trabalhava para lançar a operação de aquisição do Master e disse que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, havia solicitado material para se preparar para possíveis críticas à negociação. Para a PF, a mensagem demonstra que o governador estava ciente da operação.
Paulo Henrique Costa está preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele comandou o BRB durante a gestão de Ibaneis Rocha e tentou firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas a proposta não foi aceita.
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