
Política
Entidade ligada a ‘Dark Horse’ usou três projetos para justificar verba de R$ 200 mil
Academia Nacional de Cultura, liga a Kraina Gama, dona da produtora Go Up, que produz o filme "Dark Horse", foi alvo da PF na em investigação de desvios de emendas

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Academia Nacional de Cultura (ANC), ligada a Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up, que produz o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apresentou três projetos culturais em um período de seis anos para comprovar experiência e receber uma emenda de R$ 200 mil do governo de São Paulo, conforme informações do Metropóles. O dinheiro foi destinado à produção da série documental “Heróis Nacionais”, que não foi lançada.
Entidade foi alvo da PF
A sede da Academia Nacional de Cultura, na região da Avenida Paulista, foi alvo de busca e apreensão na Operação Make Up, da Polícia Federal. A ação investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares para entidades ligadas a Karina e para o financiamento de “Dark Horse”. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também teve como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor e roteirista do filme.
A investigação federal, porém, não inclui a emenda estadual de R$ 200 mil destinada à Academia Nacional de Cultura. O recurso foi indicado em 2025 pelo deputado estadual Gil Diniz (PL) para a produção de “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. Segundo o governo paulista, o plano de trabalho apresentado pela entidade foi aprovado e recebeu parecer jurídico favorável antes da assinatura do termo de fomento, em outubro de 2025.
Série ainda está em execução
Em junho deste ano, o governo de São Paulo informou que a parceria continuava em execução e que estava sob análise um pedido de prorrogação do prazo. Gil Diniz afirmou que destinou o dinheiro exclusivamente à série e disse que, ao solicitar informações sobre a prestação de contas, foi informado de que o projeto permanecia em andamento. O governo declarou que o repasse cumpriu as regras das emendas impositivas e que a entidade tinha CNPJ ativo e regular.
Segundo o projeto apresentado pela Academia Nacional de Cultura, os R$ 200 mil seriam usados na pesquisa, no roteiro e na pré-produção do quarto episódio da primeira temporada, com duração de até 56 minutos e resolução 4K. A entidade afirmou que os três primeiros episódios já estavam em pré-produção e que negociava a exibição em plataformas de streaming e televisão aberta, com expectativa de alcançar pelo menos 6 milhões de pessoas.
Projetos apresentados
Para demonstrar experiência na área cultural, a entidade listou três trabalhos realizados entre 2019 e 2023. O primeiro foi uma oficina de teatro musical ligada à peça “Príncipe do Egito”, realizada em 2019 e que, segundo a ANC, atendeu 380 pessoas. O segundo foi um coral solidário promovido pela internet entre setembro e dezembro de 2020, durante a pandemia, com oficinas, ensaios e apresentações. Uma atividade no YouTube teria alcançado cerca de 4 mil pessoas.
O terceiro projeto foi o “Mega Dance”, realizado em maio de 2023 no Ginásio do Ibirapuera e transmitido pela Record. A Academia Nacional de Cultura informou que 295 jovens participaram do evento, que teve 24 apresentações e uma palestra motivacional. Esses três trabalhos foram apresentados como comprovação da capacidade da entidade para executar a série que recebeu os R$ 200 mil.
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