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PF pediu a Mendonça autorização para acessar pagamentos a autoridades no Caso Master

Política

PF pediu a Mendonça autorização para acessar pagamentos a autoridades no Caso Master

Ofício enviado em março aponta que o Coaf identificou movimentações financeiras envolvendo pessoas com foro privilegiado

PF pediu a Mendonça autorização para acessar pagamentos a autoridades no Caso Master

Foto: Luiz Roberto/TSE

Por: Metro1 no dia 14 de setembro de 2026 às 16:23

A Polícia Federal (PF) pediu, em março deste ano, autorização ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para acessar dados sobre pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e outros investigados a pessoas com foro privilegiado. Até o momento, não há registro de que o magistrado tenha autorizado o acesso.

A informação consta em documentos tornados públicos nesta segunda-feira (14), após determinação do presidente do STF, Edson Fachin. No ofício, um delegado responsável pela investigação solicita que o ministro autorize o compartilhamento de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo a PF, o conselho atendeu apenas parcialmente ao pedido de informações. Durante a análise dos relatórios, o Coaf identificou movimentações financeiras entre investigados e autoridades com foro privilegiado e informou que precisaria de autorização expressa do Supremo para compartilhar os dados.

No documento, o delegado argumenta que Mendonça é o responsável por supervisionar a investigação e autorizar o acesso às informações sigilosas. “O juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, afirma o policial. O ministro não respondeu ao pedido, conforme o relato.

Entre os dados incluídos na resposta parcial do Coaf, está a movimentação de mais de R$ 57 milhões pela Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. No mesmo período, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e então pastor da instituição, transferiu mais de R$ 19 milhões à igreja. A instituição também foi alvo de apurações relacionadas à CPMI do INSS e a suspeitas de desvio de emendas parlamentares.

A divulgação dos documentos ocorreu após pedido de Alexandre de Moraes, que considerou o acesso às petições necessário para embasar os votos dos ministros no julgamento previsto para terça-feira (15). Na ocasião, o STF analisará a eventual abertura de investigação contra Moraes em razão de mensagens trocadas com Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à retirada do sigilo.