
Política
Ministro da Justiça rebate Trump e defende atuação do Brasil contra facções
Wellington César afirmou que dados de operações realizadas no país contradizem avaliação do governo americano sobre PCC e Comando Vermelho

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, rebateu nesta quinta-feira (17), no Rio de Janeiro, as críticas do governo de Donald Trump à atuação do Brasil no combate ao crime organizado.
Trump afirmou que o Brasil falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), recentemente incluídos pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas. A declaração consta de um documento divulgado pelo Departamento de Estado americano na quarta-feira (16).
Segundo Wellington César, os números das operações realizadas no Brasil não sustentam essa avaliação.
“O Estado americano verificará que essa hipótese não se confirma, não é consistente. Os números que apresentamos são superiores ao que existia antes”, declarou o ministro, em entrevista no Escritório Nacional Antifacção, no Centro do Rio.
Wellington afirmou que houve aumento das ações contra organizações criminosas e destacou a atuação conjunta de forças federais, estaduais e municipais.
“Ficará nítido o esforço do Estado brasileiro nessa defesa e no combate ao crime organizado”, disse.
O ministro também citou a aprovação da chamada Lei Antifacção e a ampliação da capacidade operacional das forças de segurança como avanços recentes.
Brasil fora da lista
Wellington César ressaltou ainda que o Brasil não foi incluído formalmente em uma lista de 23 países encaminhada pelo governo Trump ao Congresso dos Estados Unidos.
Segundo ele, a menção ao Brasil ocorreu de forma secundária e não representa o enquadramento jurídico aplicado aos países incluídos na relação.
“Se não figuramos na lista dos 23 países consolidada nessa iniciativa enviada ao Congresso, a referência ao Brasil foi um comentário lateral. A inclusão na lista, que tem categoria jurídica, não aconteceu”, afirmou.
Operação contra venda irregular de celulares
As declarações foram dadas durante uma coletiva sobre uma operação nacional contra irregularidades na comercialização de celulares.
A ação, realizada no âmbito do programa Celular Seguro, alcançou cerca de 200 estabelecimentos em 15 estados nesta quinta-feira (17). Segundo o Ministério da Justiça, a operação mira a cadeia formada por roubo, furto, receptação e revenda de aparelhos. A ação prossegue nesta sexta-feira (18).
Wellington também citou outras operações recentes contra o crime organizado, incluindo uma que cumpriu cerca de 100 mandados de busca e prisão e determinou o bloqueio de milhões de reais.
Segundo o ministro, o combate às organizações criminosas depende da atuação conjunta da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, forças estaduais, guardas municipais, Receita Federal, Ministério Público e Poder Judiciário.
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