
Política
Lula defende que STF julgue casos de Moraes e Mendonça antes das eleições
Presidente afirmou que ministros devem ter o mesmo tratamento e disse que “não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois”

Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (17) que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise conjuntamente os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master.
Em entrevista à rádio Itatiaia, Lula afirmou que eventuais apurações sobre integrantes da Corte deveriam seguir o mesmo calendário e ser concluídas antes das eleições.
"Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se [Luiz] Fux está envolvido, se [André] Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo agora já tem material, é só tornar público", declarou.
O presidente também afirmou que os fatos relacionados ao Banco Master ainda precisam ser esclarecidos e defendeu que eventuais responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
"O caso Master não foi desvendado", disse o presidente.
Lula defende tratamento igual
Ao comentar especificamente a situação de Moraes e Mendonça, Lula afirmou que qualquer eventual irregularidade deve ser analisada pelo Supremo, independentemente de quem esteja envolvido.
O presidente voltou a defender Moraes ao mencionar a atuação do ministro em processos relacionados aos ataques à democracia e a integrantes da família Bolsonaro, mas afirmou que ele também deverá responder caso sejam comprovadas irregularidades.
"Se o Alexandre de Moraes cometeu erro, é decisão da Suprema Corte. Se tiver errado, vai ter que pagar pelo que cometeu. Mas queremos o mesmo para todo mundo", afirmou.
Lula também disse que o STF deve ser respeitado e que a Corte precisa atuar de forma transparente na apuração dos fatos.
"Suprema Corte tem que ser respeitada. Se não tiver respeito, fica difícil acreditar que é a guardiã da Constituição. É a única instância da qual não se pode recorrer. Por isso, é importante que seja mais séria que o restante da sociedade", afirmou.
As declarações ocorrem enquanto o STF enfrenta uma sequência de disputas internas relacionadas ao acesso a informações da investigação do Banco Master e à análise de pedidos envolvendo ministros da Corte. Nesta quinta-feira (17), o presidente do tribunal, Edson Fachin, cancelou uma sessão que trataria de questões relacionadas ao caso.
No mesmo contexto, a Polícia Federal entregou aos gabinetes de Mendonça e Luiz Fux a íntegra dos dados do celular de Daniel Vorcaro, material que já havia sido disponibilizado aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
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