
Política
Dino manda PF investigar operações do Master com concessionária de cemitérios em SP
Ministro do STF aponta novos indícios envolvendo financiamentos de R$ 78 milhões

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apure possíveis irregularidades em operações do Banco Master com uma concessionária de cemitérios de São Paulo. A decisão, tomada nesta quinta-feira (17), amplia as investigações sobre os negócios da instituição financeira. Dino, no entanto, estabeleceu que as diligências não poderão atingir o ministro André Mendonça, alvo de um pedido de investigação que está sob análise da presidência do Supremo.
A determinação foi motivada por informações sobre a relação do banco com a Cemitérios e Crematórios SP, empresa vinculada ao Grupo Maya. De acordo com os dados apresentados por Dino, a concessionária ofereceu créditos como garantia em dois contratos de financiamento que, juntos, alcançaram R$ 78 milhões. As três acionistas também deram todas as ações da empresa como garantia fiduciária ao Master.
Os documentos mencionados pelo ministro indicam que os acordos permitiam ao banco interferir em determinadas decisões societárias. As acionistas tinham a obrigação de encaminhar ao credor as convocações de assembleias e, quando uma votação pudesse afetar seus interesses, deveriam seguir as orientações do banco.
Outro ponto considerado relevante é a possível ligação entre os negócios da concessionária e o encontro de Daniel Vorcaro com André Mendonça. Conforme as informações citadas na decisão, o grupo empresarial do banqueiro ainda mantinha interesses na empresa naquele período, e o julgamento no STF poderia produzir efeitos sobre esses negócios.
A decisão também descreve o percurso dos créditos antes do encontro entre os dois. Os valores teriam passado por diferentes operações financeiras em estruturas ligadas ao conglomerado do Master até chegar à Master Holding, sediada nas Ilhas Cayman. Mais tarde, teriam sido empregados em uma negociação com o Banco de Brasília (BRB).
Ao determinar a apuração, Dino considerou que os novos dados acrescentam informações sobre possíveis interesses econômicos relacionados ao processo em tramitação no Supremo. A PF deverá investigar as operações financeiras e os vínculos empresariais identificados, sem incluir Mendonça entre os alvos das diligências determinadas pelo ministro.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

