
Política
Lula diz que 8 de Janeiro foi “terrorismo” e critica classificação de Trump
Presidente rejeitou enquadramento das facções como organizações terroristas e citou o plano para assassinar autoridades ao defender sua definição de terrorismo

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta sexta-feira (18), que não aceita a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Durante discurso em evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, o candidato à reeleição afirmou que "terrorismo" foi o 8 de Janeiro e o planejamento de assassinato de autoridades.
"Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o [Donald] Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado", defendeu o presidente.
Um relatório divulgado nesta semana pelo governo estadunidense acusa o Brasil de falha no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), que aparecem classificados como ameaças à segurança internacional. A administração de Trump cobra medidas urgentes.
A inclusão das facções na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos representa uma mudança de abordagem da Casa Branca, que agora define como prioridade o “combate ao narcotráfico sul-americano”.
Em resposta, autoridades brasileiras manifestaram preocupação com possíveis intervenções estrangeiras e destacaram que facções já são tratadas como organizações criminosas, sujeitas a penas duras pela lei nacional.
O Ministério da Justiça rejeitou as alegações de Washington e citou operações frequentes de desarticulação patrimonial das quadrilhas, além de acordos de inteligência e cooperação com agências norte-americanas contra o tráfico de drogas e armas.
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