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Contrato de R$ 427 milhões do Master liga escritório à suposta ‘Turma do KN’

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Contrato de R$ 427 milhões do Master liga escritório à suposta ‘Turma do KN’

Documento enviado pela Polícia Federal ao STF prevê honorários por êxito em 12 processos que envolvem créditos de R$ 8,5 bilhões; mensagens citam o ministro Kassio Nunes Marques

Contrato de R$ 427 milhões do Master liga escritório à suposta ‘Turma do KN’

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Por: Metro1 no dia 21 de setembro de 2026 às 13:54

Atualizado: no dia 21 de setembro de 2026 às 13:58

Um contrato de advocacia de R$ 427 milhões relacionado a processos de interesse do Banco Master foi incluído em um arquivo enviado pela Polícia Federal aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o site Metrópoles, o documento prevê o pagamento de honorários em caso de vitória em ações que poderiam viabilizar a liberação de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro, então controlador da instituição financeira.

O acordo foi firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A previsão era de honorários líquidos de 5% sobre os valores recebidos pelo banco em 12 processos, condicionados ao êxito das ações.

Os casos envolvem indenizações relacionadas à política de controle de preços adotada pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. Nos documentos, o Banco Master aparece como credor ou cessionário dos créditos. O contrato estabelecia que os pagamentos ao escritório deveriam ocorrer em até cinco dias após a obtenção dos recursos.

O instrumento também autorizava a banca a receber diretamente da União a parcela dos honorários e a inscrever precatórios em nome próprio. A atuação prevista abrangia as diferentes etapas dos processos, incluindo recursos e incidentes nos tribunais.

Mensagens citam ministro do STF

Conversas extraídas do celular de Vorcaro indicam que assessores se referiam a Newton Ramos e Camilla Ramos como integrantes da chamada “Turma do KN”. De acordo com o Metrópoles, a sigla seria uma referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques.

Em uma das mensagens, Camilla comemorou um voto de Nunes Marques em um julgamento sobre precatórios de usinas de cana-de-açúcar. Ao banqueiro, ela escreveu que havia sido “um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”.

Os registros também apontam que Newton Ramos repassava a Vorcaro pedidos atribuídos ao ministro, incluindo uma diária no hotel Fasano Itaim. Em uma conversa, uma assessora perguntou se seria possível obter uma tarifa promocional para Nunes Marques. Vorcaro respondeu: “Pode botar na minha conta”.

Outras mensagens mencionam solicitações de reservas, nomes para camarotes e despesas relacionadas a Newton Ramos e à mulher. Entre os registros estão referências a hospedagens, eventos no Rosewood, Fórmula 1, viagens de avião e camarote na Sapucaí.

Durante o Carnaval de 2025, as conversas também indicam que foi solicitada a reserva de uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, para receber uma pessoa identificada como “KN”.

Manifestação de Nunes Marques

Nunes Marques afirmou que inicialmente se declarou impedido em um processo relacionado a uma usina porque havia participado da análise do caso quando era vice-presidente do TRF-1. Segundo o ministro, posteriormente concluiu que não havia impedimento, por entender que o julgamento tratava de uma tese ampla, e solicitou a retificação antes de apresentar seu voto.

O magistrado também declarou que o julgamento não envolvia uma ação específica do Banco Master, mas uma tese que poderia alcançar diferentes empresas. Nunes Marques afirmou ainda que nunca votou a favor do banco e que seu filho jamais recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.