
Política
Grupo dos EUA ligado à campanha de Flávio Bolsonaro tem projeto de terras raras na Bahia
Braço financeiro da Rockbridge, que tem Donald Trump Jr. como sócio, investiu em empresa que tem acordo de fornecimento com dona de projeto de terras raras no sul da Bahia. As informações são do jornalista Paulo Motoryn

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Um grupo empresarial dos Estados Unidos que mantém relações com pessoas próximas à campanha de Flávio Bolsonaro está ligado a uma cadeia de exploração de terras raras com projetos no sul da Bahia. A Energy Fuels, empresa americana que adquiriu áreas entre Prado e Caravelas, pretende utilizar a monazita extraída na região em sua cadeia de processamento nos Estados Unidos. As informações são do jornalista Paulo Motoryn.
A empresa concluiu, em 2023, a compra de 17 concessões minerais na Bahia, em uma área de aproximadamente 15,1 mil hectares, por US$ 27,5 milhões. Atualmente, dados citados no levantamento apontam 19 processos minerários da companhia em Prado, Caravelas e Alcobaça. O projeto ainda depende de licenciamento para chegar à exploração comercial.
A monazita é um mineral que contém elementos de terras raras usados na fabricação de ímãs permanentes. Esses componentes são empregados em veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas e aplicações militares. A Energy Fuels afirma que o projeto baiano pode fornecer entre 3 mil e 10 mil toneladas de concentrado de monazita por ano.
Ligação com empresa investida por Trump Jr.
A estratégia da Energy Fuels está conectada à produção de terras raras nos Estados Unidos. A empresa pretende utilizar a monazita brasileira em sua estrutura de processamento no país, incluindo a White Mesa Mill, em Utah.
Em agosto de 2025, a fabricante americana de ímãs de terras raras Vulcan Elements recebeu US$ 65 milhões em investimentos.
Entre os investidores estava a 1789 Capital, fundo do qual Donald Trump Jr. é sócio. Dias depois, Vulcan Elements e Energy Fuels anunciaram um memorando para desenvolver uma cadeia de fornecimento de terras raras independente da China.
O acordo, porém, não estabelece que a matéria-prima da Vulcan será necessariamente proveniente da Bahia. Os primeiros materiais previstos no memorando seriam de minas nos Estados Unidos. A conexão com o projeto baiano está na estratégia da própria Energy Fuels de utilizar a monazita da região em sua cadeia produtiva americana.
Relação com o entorno de Flávio
A cadeia empresarial ganhou relevância no Brasil porque a exploração de minerais críticos e terras raras também aparece entre propostas discutidas por pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Em março, Flávio afirmou que o Brasil poderia ajudar os Estados Unidos a reduzir a dependência da China em minerais críticos.
André Marinho, aliado do senador, elaborou um memorando sobre o tema para um eventual governo de Flávio, defendendo mudanças na legislação de mineração e licenciamento e maior aproximação com os Estados Unidos.
A Rockbridge, grupo ligado à 1789 Capital, também aparece no entorno da campanha. Segundo o material, o empresário Pedro Sang, apontado como articulador da Rockbridge no Brasil, teria participado da estruturação do comitê de Flávio em São Paulo.
Apesar das conexões, há uma diferença importante: a Energy Fuels comprou as áreas na Bahia em 2023, antes da atual articulação política em torno de um eventual governo de Flávio. Também não há evidência, até o momento, de que Flávio Bolsonaro, André Marinho ou integrantes da campanha tenham participado da aquisição.
O que os documentos mostram é a existência de uma cadeia empresarial que conecta um projeto de terras raras no sul da Bahia a empresas americanas voltadas à produção de componentes estratégicos e a um fundo que tem Donald Trump Jr. como sócio. Essa cadeia se aproxima de propostas defendidas por pessoas do entorno de Flávio para ampliar a exploração brasileira de minerais críticos e aproximar o setor dos Estados Unidos.
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