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Banco Master pagou R$ 720 mil a empresa de irmão de funcionário do BC

Política

Banco Master pagou R$ 720 mil a empresa de irmão de funcionário do BC

Contrato ocorreu durante período em que instituição buscava autorização para venda ao BRB

Banco Master pagou R$ 720 mil a empresa de irmão de funcionário do BC

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 24 de setembro de 2026 às 11:31

Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master fez pagamentos à empresa de um irmão de um funcionário do Banco Central (BC) em 2025. O caso ocorreu enquanto o banco buscava autorização do órgão para vender o Master ao Banco de Brasília (BRB), segundo informações da Folha de S.Paulo.

Pagamento à consultoria

Em 6 de agosto de 2025, o então assessor jurídico do Master, Luiz Rennó, enviou a Vorcaro uma lista com cinco pagamentos. Entre eles estava a LR Consultoria, de Leonardo Eyer Harris, com previsão de R$ 120 mil. A empresa pertence ao irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor de Regulação do BC.

A LR Consultoria foi aberta em março de 2024, com capital social de R$ 1 mil, e recebeu R$ 720 mil do Master ao longo de 2025, conforme documento obtido pela Folha. Leonardo afirmou que a empresa foi contratada para prestar consultoria na área de mineração durante cerca de seis meses, entre março e setembro daquele ano.

Servidor nega participação

Leonardo disse que o parentesco não foi informado ao Master porque, segundo ele, não havia relação entre a consultoria prestada e a função exercida pelo irmão no BC. Ele afirmou ainda que comunicou Ricardo sobre o contrato como uma medida de cautela.

Ricardo, por sua vez, afirmou ter informado a alta administração do Banco Central sobre o contrato e negou participação direta ou indireta em decisões relacionadas ao Banco Master. O BC não se manifestou sobre o caso.

Investigações

A contratação ocorre em meio às investigações sobre a relação do Master com funcionários do Banco Central. Dois servidores do órgão já são investigados, e mensagens analisadas pela Polícia Federal apontaram contatos com Vorcaro e pagamentos a eles, incluindo despesas com viagens.

Na época, Vorcaro buscava a aprovação do BC para a venda do Master ao BRB. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central anunciou o veto à operação. Dois meses depois, em 18 de novembro, o Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial.