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Relator vota contra abertura de investigação sobre Gonet no caso Master

Política

Relator vota contra abertura de investigação sobre Gonet no caso Master

Subprocurador-geral Francisco Sanseverino rejeitou pedido para designar outro membro do MPF para analisar documentação sobre o procurador-geral da República

Relator vota contra abertura de investigação sobre Gonet no caso Master

Foto: Antonio Augusto/STF

Por: Metro1 no dia 25 de setembro de 2026 às 10:54

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) iniciou nesta sexta-feira (25) a análise sobre a possível abertura de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por sua atuação em episódios relacionados ao Banco Master. O relator do caso, Francisco Sanseverino, votou contra o pedido para designar um subprocurador-geral da República para analisar a documentação.

Gonet é alvo das representações e, por isso, não participa da sessão, que é presidida pelo vice-presidente do CSMPF, Nicolao Dino. A análise é considerada inédita na história do colegiado e tem como base referências ao procurador-geral em relatórios da Polícia Federal. O Conselho é formado por nove integrantes do Ministério Público Federal.

Antes de analisar a possibilidade de uma investigação, Sanseverino rejeitou o pedido para avaliar eventual impedimento ou suspeição de Gonet em processos relacionados ao caso no Supremo Tribunal Federal. “Portanto, não conheço a alegação de impedimento ou suspeição do procurador-geral da República”, afirmou o relator.

Segundo o relator, cabe inicialmente ao Conselho avaliar representações sobre possível prática de crime comum atribuída ao procurador-geral, verificando a existência de elementos mínimos sobre materialidade e autoria. Caso o colegiado entenda que há elementos suficientes, poderá admitir o procedimento e designar um subprocurador-geral para conduzir a apuração.

O que está em análise

Os conselheiros discutem se as referências a Gonet nos documentos da Polícia Federal são suficientes para justificar uma investigação criminal ou disciplinar ou se o caso deve ser arquivado. A análise envolve três pontos: a condução das investigações sobre o Banco Master; a atuação relacionada à prisão preventiva de Daniel Vorcaro; e a condução, de forma geral, das apurações sobre o banco dentro do Ministério Público Federal.

Os relatórios da PF foram produzidos a partir da extração do celular de Vorcaro. As mensagens indicam interlocução entre o empresário e Gonet, principalmente por meio do advogado Ciro Soares. Entre os episódios citados estão o pagamento de despesas de uma viagem a Londres para Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em abril de 2025, e uma fotografia de Vorcaro ao lado de Gonet em Londres, em 2024.

Também aparecem nas mensagens referências a uma suposta atuação de Gonet para que Georges Seigneur desistisse da disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). Segundo o relatório, Ciro Soares teria dito que pediu a Gonet que interviesse no episódio. Três dias depois, Seigneur retirou a candidatura e Jarbas Soares foi aclamado para o cargo.

Em mensagens de outubro de 2025, Vorcaro também citou o procurador-geral ao pedir que um interlocutor reforçasse conversas com autoridades para evitar medidas do Banco Central contra o Banco Master.

Próximos passos

Caso a maioria do Conselho vote pela abertura da investigação, um subprocurador-geral será designado de forma independente para conduzir a apuração. Ao fim do procedimento, o relatório será submetido novamente ao colegiado. Se forem identificados indícios de crime, os fatos poderão ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

Gonet já afirmou que não mantinha relação próxima com Vorcaro e classificou o contato entre os dois como “brevíssima e banal”. A Procuradoria-Geral da República também pediu ao Supremo a anulação do relatório da PF, sob o argumento de que o ministro André Mendonça teria extrapolado seus poderes ao determinar investigações sem pedido prévio do Ministério Público.

O caso ocorre no contexto das investigações sobre o Banco Master. A Polícia Federal e o Banco Central apuram suspeitas de fraude relacionadas à cessão de carteiras de crédito estimadas em R$ 12 bilhões. Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, e Mendonça retirou o sigilo de relatórios da PF que também detalharam interações do empresário com o ministro Alexandre de Moraes e contratos com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes.