
Política
Áudios indicam que Vorcaro transferiu R$ 20 bilhões para o exterior antes de ser preso
Gravações de conversas de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do dono do Banco Master, também revelam temor de investigações e relatos sobre a proximidade de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes

Foto: Divulgação
Áudios de conversas de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, indicam que o dono do Banco Master transferiu R$ 20 bilhões para o exterior antes de ser preso pela Polícia Federal. As gravações foram obtidas pela revista Piauí e revelam relatos de Zettel sobre a situação financeira do banqueiro e os acontecimentos que antecederam a liquidação da instituição.
“Guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar, porque, se pegar, pode até ser preso de novo. Então não adianta nada juntar dinheiro fora num negócio desse. Se ferra do mesmo jeito. Tem hora que eu acho que ele é meio inconsequente”, afirmou Zettel em uma mensagem de áudio enviada a uma mulher com quem mantinha uma relação extraconjugal, segundo a publicação.
As gravações também mostram a tensão nos dias anteriores à liquidação do Master pelo Banco Central (BC). Em uma das mensagens, Zettel demonstrou alívio por não ter ocorrido nenhum novo episódio que pudesse prejudicar o grupo.
“Graças a Deus, a gente achou que ia estourar algo de ruim, mas hoje não estourou nada. Eu vou te mantendo informada e mais tarde eu te ligo com calma pra gente conversar. Te amo, te amo, te amo”, disse.
No dia seguinte, foi publicada a decisão do Banco Central que liquidou a instituição financeira. Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto embarcava em um voo para os Emirados Árabes Unidos. Segundo as informações divulgadas, ele pretendia buscar compradores para o banco. Antes disso, o BC já havia recusado operações de venda para o Banco de Brasília (BRB) e para a Fictor.
Temor de buscas e apreensões
Após as medidas contra o grupo, Zettel relatou preocupação com a possibilidade de ser alvo de buscas e apreensões e de ter o patrimônio bloqueado. Em uma das conversas, ele mencionou a apreensão de aparelhos eletrônicos.
“Você já deve ter visto as notícias, né?”, perguntou. “Pegaram os telefones, os iPads de todo mundo. O meu ainda não.”
Na sequência, afirmou que o celular utilizado para conversar com a mulher ficava guardado em seu carro, separado dos outros aparelhos que carregava.
Em outro áudio, Zettel contou que havia tomado medicamentos para conseguir dormir e que não percebeu a movimentação das autoridades durante a madrugada. Segundo ele, advogados foram até sua casa por volta de 1h, mas ele só acordou às 6h.
“Como saíram aquelas notícias boas todas, o que que eu fiz? Eu enchi a cara de rivotril e falei: pelo menos agora eu vou ter uma noite de sono tranquila. Os advogados bateram na minha casa uma hora da manhã, minha filha. Esmurraram (a porta), tocaram o interfone, ligaram na portaria, ligaram no meu celular. Eu não vi nada. Acordei 6h da manhã”, relatou.
Zettel cita proximidade entre Vorcaro e Moraes
Em outra conversa, Zettel mencionou a relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cunhado do banqueiro afirmou que os dois eram próximos e declarou que contava com o magistrado.
“Xandão é o melhor amigo do Daniel (Vorcaro). Estou contando com ele. (...) Melhor amigo, janta junto, sai junto”, disse.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, firmou contratos milionários com o Banco Master. Procurado pelo Estadão, o gabinete de Moraes no STF não havia se manifestado até a publicação do relato. O espaço foi mantido aberto para manifestação.
Relatório da Polícia Federal apontou que Moraes teria feito duas alterações na minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de Viviane. O relatório também registraria um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, envolvendo o escritório e Vorcaro.
Segundo a publicação, o pagamento teria ocorrido por meio da transferência de cotas de duas aeronaves do banqueiro, em uma operação descrita como uma espécie de sociedade oculta. Dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.
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