
Política
SUS da Segurança, restrições às saidinhas e combate a facções: entenda a PEC que avança no Senado
Aprovada pela CCJ, proposta prevê integração das forças de segurança, ampliação da atuação da PRF, criação de polícias municipais e medidas mais rígidas contra facções criminosas

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu, nesta quarta-feira (14), a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Com a análise dos últimos trechos, o texto está pronto para ser votado no plenário da Casa.
Considerada prioritária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta busca ampliar a participação da União no combate ao crime organizado e integrar a atuação das forças de segurança de todo o país. Após a aprovação da PEC pelo Congresso, Lula pretende criar o Ministério da Segurança Pública.
Apresentado pelo ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o texto reúne mudanças na organização das forças policiais, no combate às facções criminosas e nas regras relacionadas à punição de crimes violentos.
O que prevê a PEC da Segurança Pública?
1. Integração das forças de segurança
A proposta inclui na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com o objetivo de fortalecer a integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios no combate à criminalidade.
O texto também prevê a possibilidade de criação de forças-tarefa entre diferentes níveis de governo e estabelece regras para a organização das polícias, das guardas municipais e do sistema socioeducativo.
2. Medidas mais rígidas contra facções criminosas
A PEC prevê regras mais rigorosas para pessoas condenadas por crimes violentos e integrantes de organizações criminosas. Entre as medidas estão a obrigatoriedade de cumprimento da pena em estabelecimento penal de segurança máxima ou de natureza especial e restrições à progressão de regime, à liberdade provisória, com ou sem fiança, e à saída temporária, conhecida como saidinha.
3. Expropriação de bens ligados ao crime organizado
A proposta permite a expropriação de bens, direitos e valores econômicos envolvidos em atividades criminosas de organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias privadas.
4. Criação de polícias municipais
O texto permite a criação de polícias municipais voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário.
5. Ampliação da atuação da PRF
A Proposta de Emenda à Constituição amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que poderá atuar também no policiamento de hidrovias e ferrovias. A corporação também poderá apoiar outras forças de segurança quando requisitada pelo governador.
6. Competências da Polícia Federal e da PRF
A proposta mantém a Polícia Federal e a PRF sob competência privativa da União, assim como as normas relacionadas às atividades de inteligência.
Como foi a votação no Senado?
O texto-base da PEC foi aprovado pela CCJ em 2 de setembro. Na ocasião, porém, a comissão encerrou a sessão antes de analisar três trechos destacados para votação em separado.
Nesta quarta-feira (14), os senadores concluíram a análise dessas partes em uma sessão que durou cerca de dez minutos. O parecer do senador Rogério Carvalho (PT-SE) rejeitou as mudanças propostas nos destaques e manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
Com a conclusão da votação na comissão, a proposta está pronta para deliberação no plenário do Senado.
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