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Amigo de Flávio Bolsonaro movimentou milhões em bets e foi o maior apostador do país em 2025

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Amigo de Flávio Bolsonaro movimentou milhões em bets e foi o maior apostador do país em 2025

O advogado Willer movimentou R$ 7 milhões em um único dia, fez apostas milionárias na Blaze e na 7K e entrou no radar da Fazenda por operações consideradas atípica

Amigo de Flávio Bolsonaro movimentou milhões em bets e foi o maior apostador do país em 2025

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Por: Metro1 no dia 20 de outubro de 2026 às 12:11

O advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio Bolsonaro, movimentou milhões de reais em plataformas de apostas esportivas e cassinos on-line. Segundo dados reunidos pela reportagem, ele chegou a depositar R$ 7 milhões em um único dia, sacar R$ 6 milhões em apenas 18 minutos e realizar apostas que ultrapassaram R$ 5 milhões em poucos minutos.

As movimentações ocorreram principalmente na Blaze, onde o advogado chegou a ter uma mesa exclusiva de blackjack ao vivo, chamada “Blaze VIP Blackjack”. Também foram identificadas operações na 7K, empresa do grupo Ana Gaming.

Movimentações milionárias

De acordo com os dados apresentados na apuração, em 30 de outubro de 2025, Willer fez 14 transferências de R$ 500 mil, totalizando R$ 7 milhões depositados em um único dia. No dia seguinte, retirou R$ 6 milhões em um intervalo de apenas 18 minutos.

Em 11 de novembro, o advogado realizou 12 apostas em cerca de cinco minutos. Juntas, elas ultrapassaram R$ 5 milhões. Ao longo do ano, foram registradas 629 apostas individuais de R$ 500 mil ou mais.

A própria análise questiona até que ponto seria considerado “típico” que um apostador depositasse R$ 7 milhões em um dia, sacasse R$ 6 milhões em 18 minutos ou apostasse R$ 5 milhões em apenas cinco minutos.

Segundo a Fazenda, movimentações elevadas em plataformas de apostas podem representar sinais de lavagem de dinheiro mesmo quando o apostador termina perdendo dinheiro.

Blaze criou mesa exclusiva

Os recursos de Willer eram usados em jogos de cassino ao vivo, incluindo o bacará. Em uma das mesas, os valores permitidos variavam de R$ 5 a R$ 125 mil por rodada, com partidas realizadas em intervalos de aproximadamente 30 segundos.

Depois, o advogado passou a jogar blackjack em uma mesa criada exclusivamente para ele, denominada “Blaze VIP Blackjack”, segundo informações apresentadas em ação judicial movida por Willer contra a Blaze.

A empresa classificou o advogado como um cliente de risco “médio” durante todo o período analisado. A Fazenda, porém, afirma que, seguindo os próprios critérios da companhia, ele poderia ter sido enquadrado no nível máximo de risco, inclusive por já ter sido preso sob suspeita de corrupção.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, concluiu em nota técnica que a Blaze não analisou adequadamente as operações realizadas pelo advogado com o objetivo de prevenir possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

Segundo o documento, os valores movimentados “claramente enquadrariam” as operações entre aquelas que deveriam ser submetidas a análise. Para a secretaria, seria “praticamente impossível” que a empresa não tivesse percebido movimentações “na ordem dos bilhões de reais”.

A SPA também apontou “indícios de culpa ou dolo” por parte da Blaze. A avaliação é de que a falta de fiscalização poderia estar relacionada à intenção de evitar a perda das receitas obtidas com as apostas.

Apostas na 7K

Além da Blaze, Willer depositou R$ 1,3 milhão na 7K, uma das marcas do grupo Ana Gaming. A empresa teve R$ 631 milhões bloqueados pela Justiça Federal durante a Operação Narco Bet, investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

Na 7K, segundo os dados obtidos pela reportagem, Willer apostou R$ 4,8 milhões em jogos on-line e sacou R$ 426 mil. A defesa afirma que o advogado era apenas um cliente da plataforma e não possuía qualquer relação societária, comercial ou pessoal com a empresa ou seus controladores. Também afirma que ele não é alvo da Operação Narco Bet.

A Ana Gaming, sediada em Nova Lima (MG), administra as marcas 7K, Cassino e Vera e patrocina o Santos. O grupo recebeu autorização do Ministério da Fazenda para operar no mercado brasileiro em fevereiro de 2025.

Procurada, a empresa informou que não comenta processos que tramitam sob sigilo judicial. A companhia também declarou que não se manifesta sobre clientes ou sobre as operações realizadas por eles. Segundo a empresa, os dados dos apostadores são protegidos por sigilo e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Ana Gaming também citou a legislação que estabelece o sigilo de eventuais comunicações feitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A empresa afirmou ainda que “sempre atuou de acordo com a legislação, com política clara sobre jogo responsável e a regulamentação do setor de apostas” e que está à disposição das autoridades.

Investigação envolvendo Flávio

A Polícia Federal investiga se Flávio Bolsonaro teria atuado ao lado de Willer em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador nega as suspeitas e classificou a investigação como “fake news”. Uma reportagem do UOL apontou que Flávio e Willer chegaram a dividir uma conta no banco Santander, conforme indicariam e-mails apreendidos pela Polícia Federal. Em maio de 2025, uma funcionária ligada a Willer teria solicitado que a conta identificada como “Flávio Bolsonaro” fosse desvinculada do chamado “usuário master” associado ao advogado.

Operação Narco Bet

A Operação Narco Bet foi deflagrada em outubro de 2025 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional por meio de criptomoedas e plataformas de apostas. Ao todo, 11 pessoas foram presas na operação. Entre os detidos estava o influenciador conhecido como Buzeira, que posteriormente foi solto.

A defesa de Willer nega que ele tenha relação com a operação. Sobre as movimentações na 7K, afirma que o advogado “foi cliente como qualquer outro, sem vínculo societário, comercial ou pessoal com a empresa ou seus controladores, e não é alvo da Operação Narco Bet”.

Defesa nega irregularidades

A defesa também afirma que Willer nunca utilizou ferramentas automatizadas nem fracionou operações com o objetivo de driblar mecanismos de controle contra lavagem de dinheiro. Já a Secretaria de Prêmios e Apostas sustenta que os padrões identificados - incluindo depósitos e saques elevados e operações concentradas em períodos muito curtos — deveriam ter provocado uma análise mais rigorosa por parte das empresas de apostas.