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PF investiga se ex-diretor da Abin recebeu US$ 180 mil de amigo de Flávio Bolsonaro

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PF investiga se ex-diretor da Abin recebeu US$ 180 mil de amigo de Flávio Bolsonaro

Anotação encontrada no celular do advogado Willer Tomaz cita o valor e o nome de Paulo Maurício Fortunato; defesa nega pagamento e afirma que os dois não se conhecem

PF investiga se ex-diretor da Abin recebeu US$ 180 mil de amigo de Flávio Bolsonaro

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 21 de outubro de 2026 às 09:45

A Polícia Federal (PF) investiga se o ex-diretor de operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Maurício Fortunato recebeu US$ 180 mil, cerca de R$ 900 mil em valores atuais, do advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A apuração começou após a análise de dados armazenados no celular do advogado.

Willer e Flávio são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Em uma anotação armazenada na nuvem do celular de Willer, a PF encontrou o nome de Fortunato associado à data “agosto/21” e ao valor de US$ 180 mil. O registro também menciona os termos “corregedoria”, “diretor de operações” e “oficial de inteligência”.

A investigação relaciona a anotação a uma apreensão realizada em outubro de 2023, quando policiais federais encontraram US$ 171,8 mil em espécie na casa de Fortunato. Na ocasião, Moraes determinou o afastamento do então diretor do cargo.

“O montante chama a atenção por sua proximidade com o valor de US$ 180 mil registrado nas anotações de Willer”, afirmou a PF no pedido de abertura do inquérito.

A corporação ressalvou, porém, que a semelhança entre os valores não comprova, por si só, uma relação entre os fatos. Segundo a PF, os registros justificam o aprofundamento das investigações.

Defesas negam relação entre os dois

A assessoria de Willer Tomaz afirmou que o advogado foi procurado em 2024 para defender Fortunato, mas não aceitou a causa. Segundo a nota, a anotação foi feita em fevereiro daquele ano e resume um caso apresentado ao escritório, incluindo o histórico funcional do ex-diretor e um procedimento de corregedoria.

“Willer Tomaz jamais pagou, recebeu ou intermediou qualquer valor a Paulo Maurício Fortunato ou a pessoas ou empresas ligadas a ele”, declarou a defesa, que classificou como indevida a transformação do registro em suspeita de pagamento.

O advogado Oscar Luis de Morais, que representa Fortunato, também negou qualquer vínculo entre os dois. Segundo ele, o ex-diretor não conhece Willer nem Flávio Bolsonaro e nunca manteve relação pessoal ou profissional com eles.

Flávio foi procurado por e-mail pela assessoria de campanha na terça-feira (20), mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Ex-diretor foi indiciado no caso da Abin paralela

Fortunato foi indiciado pela PF em junho de 2025 por suspeita de crimes como organização criminosa e violação de sigilo funcional no inquérito sobre a chamada Abin paralela. A investigação apurou se a agência foi utilizada durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) para monitorar ilegalmente e perseguir adversários políticos do então presidente.

Ele ocupou a Diretoria de Operações da Abin durante a gestão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). No início do governo Lula (PT), assumiu a Secretaria de Planejamento e Gestão da agência, terceiro cargo mais alto da estrutura hierárquica.

Em junho de 2026, o inquérito sobre a Abin paralela foi enviado pelo STF à primeira instância, após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Já a investigação envolvendo Willer teve origem em apurações sobre movimentações suspeitas no setor de apostas esportivas. O advogado também é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas a fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Com a inclusão de Flávio Bolsonaro na apuração sobre suspeita de lavagem de dinheiro, o caso foi encaminhado ao Supremo. Além do advogado e do candidato à Presidência, a investigação também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e Alexandre Ramagem.