
Política
Secretário de Segurança do Maranhão é afastado após defender “ir para cima” e “prender quem for petista"
Sargento da PM admite ter enviado a mensagem e diz que era “brincadeira” em grupo fechado de policiais

Foto: Pref. Barra do Corda/ Divulgação
Secretário de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, o sargento da Polícia Militar James Mota, foi afastado do cargo após a divulgação de um áudio em que defende a prisão de apoiadores do PT e estimula a violência contra o grupo. O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) acionou a Polícia Federal para apurar o caso e o afastamento foi determinado pelo prefeito Rigo Teles (MDB) nesta quinta-feira (22).
Nas gravações, em mensagem a um grupo de policiais militares, o secretário afirma que “quem é PT é inimigo da polícia” e da sociedade. Em outro trecho, incentiva a prisão de petistas e diz que a primeira detenção na cidade ou em um povoado faria os demais “ficarem com medo”. Ainda diz que há formas de prender “legalmente” e incentiva policiais, tanto da ativa quanto aposentados, a agir contra apoiadores do partido e “ir para cima deles”.
Mota também contou ter encontrado, no primeiro turno, apoiadores do PT distribuindo materiais de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) em frente a escolas e abordado alguns deles. Outra pessoa, não identificada, pede na gravação que ele mobilize a Guarda Municipal para fazer prisões.
Reações ao áudio
O governador Carlos Brandão (MDB) anunciou nas redes sociais o afastamento do sargento, que é PM cedido à prefeitura, e determinou investigação sobre as declarações. Em nota, a Prefeitura de Barra do Corda disse reprovar qualquer ação contrária à democracia e ao livre exercício do voto, afirmou que colabora com a Justiça Eleitoral e informou que o afastamento vale até o fim do pleito.
O vice-governador, Felipe Camarão (PT), informou que a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) apresentou notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral. O documento pede a apuração de possíveis crimes eleitorais, como intimidação e constrangimento de eleitores, a análise técnica dos áudios, a identificação dos participantes das conversas e a verificação de eventuais abordagens ou detenções ligadas à campanha.
Mota admitiu ter enviado a mensagem e disse que ela foi gravada em um grupo fechado de policiais militares, onde provocações políticas seriam comuns e recíprocas, inclusive contra ele, por seu voto em Bolsonaro. Reconheceu o uso de “expressões fortes”, mas negou intenção de ofender eleitores. Segundo ele, as falas sobre compra de votos, boca de urna, fiscais e delegados tinham o objetivo de garantir a lisura da eleição, e ele negou usar o cargo ou a condição de policial para beneficiar ou prejudicar qualquer lado.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

