
Política
Dino determina que PF investigue suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro
Inquérito também apura possível publicidade eleitoral paga no exterior e manipulação de algoritmos para favorecer candidaturas

Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal investigue suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de manipulação de algoritmos de redes sociais para favorecer candidaturas. O parlamentar nega irregularidades.
A apuração vai verificar se a Rockbridge Network participou de negociações para obter apoio financeiro à campanha, possivelmente com a intermediação dos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang. A PF deverá investigar se houve repasse de dinheiro, fornecimento de pessoal ou outros benefícios à candidatura. A Constituição proíbe partidos políticos de receber recursos financeiros de governos ou entidades estrangeiras.
Outro foco é a possível contratação de perfis sediados no exterior para divulgar conteúdos favoráveis ao senador sem informar quem pagou pelas publicações nem os valores envolvidos. Os investigadores deverão identificar os responsáveis pelos pagamentos, rastrear a origem dos recursos e verificar se a campanha tinha conhecimento das ações.
A decisão também prevê a investigação de possíveis manipulações algorítmicas por empresas de internet para beneficiar ou prejudicar candidatos, além de eventuais relações entre as negociações de financiamento e interesses econômicos ligados a terras raras e minerais críticos brasileiros.
Dino afirmou que as suspeitas levantam indícios de interferência estrangeira no processo eleitoral e ressaltou que o Estado tem o dever de proteger a soberania nacional e a liberdade de escolha dos eleitores.
O ministro acolheu pedidos apresentados pelo PT e por Renan Santos, que concorreu à Presidência pelo partido Missão. A decisão foi tomada em um processo no qual o STF estabeleceu que determinações judiciais estrangeiras não têm validade automática no Brasil. O caso teve origem em uma ação na Justiça inglesa sobre o rompimento da barragem de Mariana (MG) e voltou ao debate após os Estados Unidos aplicarem a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
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