
Política
PF apontou risco de fuga de Flávio Bolsonaro antes de senador viajar para os EUA
Em pedido enviado a Alexandre de Moraes, polícia citou saída do advogado Willer Tomaz do país, estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e suspeitas envolvendo recursos para o filme Dark Horse

Foto: Iano Andrade /CNI
A Polícia Federal apontou “risco concreto de evasão do território nacional” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma manifestação enviada no domingo (25) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, a corporação pediu a apreensão do passaporte do parlamentar, que deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo aliados.
Após receber a solicitação, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio e ordenou a entrega de documentos de outras nacionalidades. O senador foi intimado na segunda-feira (26), mas não cumpriu a determinação dentro do prazo de 24 horas.
Entre os argumentos apresentados pela PF estava a saída do advogado Willer Tomaz do Brasil, em 25 de agosto. Amigo de Flávio, ele também é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro.
“Willer Tomaz encontra-se fora do país desde 25.ago.2026, ao que tudo indica em Miami/EUA, sem registro de retorno. Isso ocorre mesmo após o ministro Alexandre de Moraes ter determinado a proibição de sua saída do país e o cancelamento de todos os seus passaportes”, afirmou a corporação no pedido.
A PF também destacou que o advogado teria recursos financeiros suficientes para permanecer no exterior por tempo indeterminado.
Suspeitas envolvendo Eduardo Bolsonaro
Outro ponto citado pela Polícia Federal foi a estrutura que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, manteria nos Estados Unidos para uma permanência prolongada.
A corporação relacionou essa suspeita ao inquérito que investiga possíveis repasses de recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Uma das linhas de investigação apura se parte do dinheiro teria sido usada para custear a permanência de Eduardo no território americano.
A manifestação também mencionou uma declaração anterior de Eduardo Bolsonaro na qual ele recomendou que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas eleições presidenciais.
Ao justificar o pedido, a PF contestou a hipótese de perseguição política. “O pretexto anunciado é o de suposta perseguição política, que jamais foi demonstrada. Todas as condenações mencionadas foram proferidas pelo juízo competente, em órgão colegiado e com observância do devido processo legal”, diz o documento.
Flávio Bolsonaro deixou o país acompanhado da mulher e das duas filhas, segundo aliados ouvidos pela imprensa. O meio utilizado para a viagem e a rota percorrida não haviam sido confirmados pelas fontes citadas nas reportagens.
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