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Jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA pertence a empresa ligada a investigado por lavagem de dinheiro no governo Milei

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Jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA pertence a empresa ligada a investigado por lavagem de dinheiro no governo Milei

Baires Fly é ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema de desvio de recursos da Agência Nacional de Deficiência da Argentina

Jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA pertence a empresa ligada a investigado por lavagem de dinheiro no governo Milei

Foto: Divulgação/Baires Fly/Renato Pizzuno/Band

Por: Metro1 no dia 28 de outubro de 2026 às 09:50

A empresa Baires Fly, ligada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, é proprietária do jato Gulfstream que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da Argentina ao Equador e, posteriormente, aos Estados Unidos. Mastropietro é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro desviado da Agência Nacional de Deficiência (Andis) da Argentina.

As investigações sobre o caso Andis apontam desvios superiores a 7,8 bilhões de pesos argentinos, o equivalente a cerca de R$ 27 milhões. O esquema veio à tona durante o governo do presidente Javier Milei, aliado político da família Bolsonaro, e provocou repercussão no governo argentino por envolver também a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente. Ela é acusada de cobrar propina de indústrias farmacêuticas em negociações para a compra de medicamentos destinados à agência.

Além do caso Andis, Mastropietro é alvo de investigações por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em outros episódios. Entre eles, há uma apuração sobre sua associação com Fred Machado, apontado como traficante.

Empresário tem vínculos com Mauricio Macri

Mastropietro também mantém ligações com o ex-presidente argentino Mauricio Macri, que governou o país entre 2015 e 2019. Ele presidiu a Avian Líneas Aéreas, companhia criada em 2016 após a venda da Macair Jet, empresa de táxi aéreo pertencente à família Macri, para a colombiana Avianca.

Na época, o ex-presidente argentino chegou a ser investigado por suspeita de tráfico de influência. A apuração envolvia uma suposta concessão irregular de rotas para a companhia aérea operar no país após a negociação.

Em novembro de 2025, quando as investigações sobre as irregularidades na Andis vieram a público, o deputado peronista Luis Rodolfo Tailhade chamou Mastropietro de “o homem de Maurício Macri” em uma publicação nas redes sociais.

Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, empresas do ramo da aviação ligadas ao empresário teriam sido utilizadas para dar aparência legal aos recursos desviados. As autoridades identificaram transferências para contas da Baires Fly superiores a 95 milhões de pesos argentinos.

Polícia Federal monitorou jato durante todo o dia

A Polícia Federal (PF) acompanhou o deslocamento do Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, que transportou Flávio Bolsonaro para o Equador e, depois, para os Estados Unidos. A aeronave permaneceu parada durante todo o dia na pista do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, sob monitoramento dos investigadores.

A PF já tinha informações sobre a possível entrada do senador no país vizinho pela região de fronteira com Foz do Iguaçu. Segundo os registros do serviço de imigração argentino, o primeiro destino informado para Flávio Bolsonaro era Guayaquil, no Equador. De lá, ele seguiu para os Estados Unidos, onde seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, vive desde 2025.

Como a Polícia Federal não tem jurisdição para atuar em território argentino, os agentes não puderam impedir a decolagem da aeronave.

A saída do senador ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele entregasse seus passaportes. Flávio Bolsonaro havia sido intimado pela PF na segunda-feira (26) a apresentar os documentos até a manhã de terça-feira (27), mas não cumpriu a ordem.

Moraes apontou “risco concreto” de fuga ao fundamentar a decisão. O ministro levou em consideração um pedido apresentado pela Polícia Federal às 21h16 de domingo (25), minutos após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).