
Política
Funcionário da Casa Branca organizou jato usado por Flávio Bolsonaro em fuga, diz NYT
Segundo jornal americano, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller após o irmão ser intimado a entregar os passaportes; PF investiga possível ajuda de empresários e aliados políticos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O funcionário de comunicações da Casa Branca Jason Miller organizou o jato particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial de domingo (25). A informação foi publicada pelo jornal americano The New York Times.
Segundo a publicação, o plano de fuga começou a ser colocado em prática depois que Flávio foi informado de que deveria entregar os passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo Bolsonaro teria mantido contato com Miller assim que o irmão recebeu a intimação judicial.
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. O jato partiu da Argentina, fez uma parada no Equador para reabastecimento e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.
Uma fonte do governo americano ouvida pelo New York Times afirmou que o senador é esperado para solicitar residência permanente nos Estados Unidos, conhecida como green card. Segundo o relato, o procedimento poderia ser acelerado, a exemplo do que teria ocorrido com Eduardo Bolsonaro.
Trump critica eleições brasileiras
Nesta quinta-feira (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou as eleições presidenciais brasileiras como uma “vergonha”. A declaração foi feita a jornalistas antes de sua saída para um comício eleitoral.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”, afirmou Trump.
Questionado se pretende procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para parabenizá-lo, Trump respondeu que sim, mas voltou a criticar o processo eleitoral. Ele também declarou que não tomou partido na disputa a pedido de Lula.
PF investiga possível ajuda de empresários e aliados
A Polícia Federal investiga a rota utilizada por Flávio Bolsonaro para deixar o Brasil e apura se o senador recebeu apoio logístico e financeiro de empresários e aliados políticos.
Os investigadores tentam esclarecer como ele saiu de Brasília e chegou a Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira com a Argentina. O trajeto posterior, a partir do país vizinho, já é conhecido, mas ainda há lacunas sobre o deslocamento inicial.
Uma das hipóteses é que Flávio tenha viajado por estrada, percurso que poderia levar cerca de 20 horas. Na noite de segunda-feira (26), por volta das 19h50, o comboio utilizado pelo senador em seus deslocamentos por Brasília deixou o condomínio onde ele mora. Ainda não há informações sobre quem estava nos veículos.
Outra possibilidade investigada é a utilização de um jato particular que teria decolado de um aeródromo ou de uma pista de pouso em uma propriedade rural de Brasília ou do entorno, com destino a Foz do Iguaçu. A PF também considera a hipótese de o senador ter percorrido parte do trajeto de carro e outra parte de avião.
Os investigadores apuram ainda uma possível participação do governo argentino, liderado por Javier Milei, na saída do senador do território brasileiro.
Flávio é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e que também envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e residente nos Estados Unidos desde agosto.
Apesar do descumprimento da ordem judicial de entrega dos passaportes e da proibição de deixar o país, a PF não trata Flávio como foragido. A investigação busca esclarecer as circunstâncias da saída do Brasil e identificar possíveis envolvidos na operação.
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