
Política
Mauro Vieira viaja aos EUA e deve se reunir com Marco Rubio pela primeira vez após eleições
Encontro está previsto para esta sexta-feira (30), durante reunião de chanceleres do G20, em Atlanta. Washington ainda não reconheceu oficialmente a vitória de Lula

Foto: Divulgação/Itamaraty
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viajou aos Estados Unidos para participar, nesta sexta-feira (30), de uma reunião de chanceleres do G20, realizada em Atlanta, no estado da Geórgia. Durante o evento, o brasileiro tem previsão de se encontrar com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
A reunião será o primeiro encontro de alto escalão entre representantes dos governos brasileiro e norte-americano desde as eleições presidenciais de domingo (25), vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa, fugiu para os Estados Unidos. Até o momento, Washington não reconheceu oficialmente a vitória de Lula.
Até a última atualização, não havia confirmação sobre o horário do encontro entre Vieira e Rubio.
Divergências no G20
A reunião de dois dias dos ministros das Relações Exteriores das 20 maiores economias do mundo ocorre em meio a divergências sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Segundo especialistas e diplomatas ouvidos pela agência Reuters, as diferenças entre os países devem dificultar a construção de posições conjuntas e a divulgação de declarações unificadas.
Os Estados Unidos, que exercem a presidência rotativa do G20 neste ano, têm buscado direcionar a agenda para os desequilíbrios comerciais e a formação de uma coalizão contra o controle chinês de minerais essenciais. Apesar disso, os conflitos internacionais e seus impactos econômicos seguem entre as principais preocupações dos integrantes do grupo.
A composição da reunião também provocou tensões diplomáticas. Os Estados Unidos não convidaram a África do Sul, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, participa do encontro. A presença do representante russo gerou divergências até mesmo sobre a tradicional foto oficial do grupo, com autoridades europeias sugerindo a realização de dois registros, um com Lavrov e outro sem ele.
A disputa estratégica entre Estados Unidos e China também amplia as dificuldades de consenso entre os integrantes do G20, que reúne países como Rússia, China, Brasil e Índia.
“Vai ser muito difícil chegar a um acordo completo sobre qualquer uma das questões estratégicas mais amplas que normalmente estariam na pauta”, afirmou Heidi Crebo-Rediker, ex-economista-chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos durante o governo Barack Obama.
Elaine Dezenski, ex-integrante do governo norte-americano e diretora do Centro de Poder Econômico e Financeiro da Fundação para a Defesa das Democracias, avaliou que o encontro ocorre em um cenário de crescente desacordo sobre a ordem econômica global.
“A reunião de Atlanta ocorre em um ambiente de crescente desacordo sobre a ordem econômica global, e o verdadeiro teste é se os EUA conseguirão construir cooperação com seus parceiros quando o consenso entre todos os membros parece estar fora de alcance”, disse.
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