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Ex-presidente do BRB diz que Ibaneis ordenou negociação com banco de Vorcaro

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Ex-presidente do BRB diz que Ibaneis ordenou negociação com banco de Vorcaro

Em depoimento, Paulo Henrique Costa relatou que recebeu a ordem durante jantar na casa de Daniel Vorcaro, em setembro de 2024; ex-governador nega interferência

Ex-presidente do BRB diz que Ibaneis ordenou negociação com banco de Vorcaro

Foto: Divulgação/BRB

Por: Metro1 no dia 30 de outubro de 2026 às 14:58

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou à Polícia Federal que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou que ele estruturasse uma negociação para vender a instituição financeira ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. O relato foi feito em depoimento prestado no último dia 15.

Segundo Costa, a orientação ocorreu durante um jantar na casa de Vorcaro, em 24 de setembro de 2024. O encontro teria sido organizado após um pedido do gabinete de Ibaneis, que convidou o então dirigente do BRB a participar da reunião.

Costa contou aos investigadores que estava na Bahia quando recebeu o convite e chegou a informar que não poderia permanecer por muito tempo no jantar. Ao chegar à residência, encontrou, além de Vorcaro e Ibaneis, outras quatro pessoas, cujos nomes não foram mencionados no depoimento.

Durante a conversa, o então governador teria dito que gostaria de apresentar o banqueiro ao presidente do BRB. Costa respondeu que já conhecia Vorcaro em razão de operações realizadas entre as duas instituições financeiras.

Na sequência, segundo o depoimento, Ibaneis deu a orientação: “Paulo, estruture uma venda do BRB para o Master”.

O ex-presidente afirmou ter ficado surpreso com a determinação, uma vez que, até então, a posição defendida internamente era contrária à venda do banco público.

“Eu fiquei surpreso por causa da venda do BRB, porque a gente tinha sempre defendido não fazer de jeito nenhum”, declarou à PF.

Negociações e interferência de Ibaneis

Ao longo das tratativas, os termos da operação mudaram, e as negociações passaram a envolver a compra do Banco Master pelo BRB. A proposta foi divulgada publicamente e recebeu autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O Banco Central, porém, vetou a aquisição pouco antes do encerramento das atividades do Master e do início da Operação Compliance Zero.

Em nota, a defesa de Ibaneis Rocha negou que o ex-governador tenha orientado Paulo Henrique Costa a iniciar qualquer negociação com o banco de Vorcaro. Segundo os advogados, o então presidente do BRB tinha autonomia para decidir sobre as operações da instituição.

O comunicado também contestou a versão de que Ibaneis teria apresentado Daniel Vorcaro a Costa. A defesa afirmou que o ex-governador jamais sugeriu qualquer decisão relacionada à abertura de negociações com o Master.

As investigações da Polícia Federal, no entanto, apontam uma atuação direta de Ibaneis nas tratativas entre as instituições. Segundo a corporação, o então governador teria ultrapassado suas atribuições institucionais ao participar da articulação com agentes privados, validar decisões operacionais e interferir no planejamento estratégico do BRB.

A PF também identificou indícios de que decisões relevantes sobre a relação entre o BRB e o Master eram submetidas previamente à avaliação de Ibaneis, antes mesmo de passarem pelas instâncias formais de governança do banco.

Para os investigadores, as comunicações encontradas nos celulares de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro indicam centralização das decisões e interferência política na condução da instituição financeira pública.

O relatório também detalha outro encontro entre os três, realizado em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025. Na ocasião, o objetivo teria sido discutir a aquisição do Master pelo BRB.

Indiciamento por fraude bilionária

Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e outras 13 pessoas por suspeita de fraude bilionária envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB.

De acordo com as investigações, o Master repassou à instituição pública cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem comprovação de existência, validade ou titularidade.

As operações eram registradas em planilhas sem documentação que comprovasse os contratos. Para dar aparência de legitimidade aos créditos, o banco teria alegado que eles eram originados por associações de servidores e, posteriormente, pela Tirreno Consultoria, empresa que, segundo a PF, não tinha capacidade operacional nem movimentação financeira compatível com as transações.

Os investigadores apontam que as cessões de crédito funcionaram como uma forma de injetar recursos no Banco Master, que já enfrentava dificuldades de caixa naquele período.