
Política
Eleições brasileiras viram exemplo de como barrar extrema direita, e ‘L’ de Lula ganha o mundo
Resultado da disputa presidencial e estratégias de mobilização adotadas na campanha brasileira passam a ser observados por movimentos de esquerda em outros países

Foto: Ricardo Stuckert
O gesto de formar a letra “L” com os dedos, associado a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ultrapassou as fronteiras brasileiras após a vitória do presidente sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O símbolo passou a aparecer em manifestações, discursos e publicações de lideranças e movimentos progressistas em outros países.
Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu que participantes de um ato da Frente Ampla levantassem os braços e fizessem o “L de Lula”. O gesto foi apresentado como uma referência à vitória brasileira e à disputa política espanhola, que terá eleições gerais em 29 de novembro.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também citou o resultado brasileiro durante um comício. “Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”, afirmou. Em outra publicação, o líder do Partido Socialista Operário Espanhol celebrou a vitória de Lula e declarou que a “virada do progressismo global” havia começado.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum também reproduziu o gesto ao comentar a eleição brasileira. Ao parabenizar Lula e o eleitorado do país, afirmou que o resultado representava uma notícia positiva para a América Latina e o Caribe.
A repercussão não ficou limitada ao símbolo. A estratégia de mobilização digital utilizada durante a campanha brasileira também despertou interesse de grupos políticos estrangeiros. O modelo de organização em grupos de WhatsApp, associado ao deputado André Janones (Rede-MG) e ao chamado “Exército do Lula”, passou a inspirar iniciativas semelhantes em outros países.
Na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon começaram a reproduzir o “L” e, em seguida, adaptar o gesto para formar a letra “M”, em referência ao político francês. Na Argentina, grupos ligados ao peronismo criaram o chamado “Exército do Peronismo”, inspirado na estrutura utilizada pelos apoiadores de Lula.
A experiência brasileira também passou a circular entre ativistas nas redes sociais. Brasileiros compartilharam com grupos estrangeiros estratégias de mobilização usadas durante a campanha, enquanto integrantes da esquerda de países como Espanha, França e Argentina passaram a discutir formas de organização digital semelhantes.
A repercussão internacional ocorreu em um cenário de avanço de partidos e movimentos de direita radical em diferentes países. Por isso, a eleição brasileira passou a ser apresentada por setores da esquerda internacional como uma referência de mobilização eleitoral e de enfrentamento à extrema direita.
O resultado também provocou manifestações de líderes estrangeiros. O presidente francês, Emmanuel Macron, parabenizou Lula e destacou a parceria entre França e Brasil. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que a extrema direita havia sido derrotada no Brasil, enquanto Sheinbaum destacou a vontade popular expressa nas urnas.
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