
Política
Conferência debate desigualdade feminina na Justiça e nos espaços de poder
Evento internacional reúne representantes do Judiciário e da sociedade civil para discutir mudanças na estrutura da Justiça

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Conferência Internacional Mulheres que Movem a Justiça começa nesta quarta-feira (4), em Brasília, com debates sobre a desigualdade na representação feminina e os desafios para ampliar a participação das mulheres no sistema de Justiça e nos espaços de poder. Promovido pelo governo federal, o encontro segue até sexta-feira (6), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na capital federal.
Organizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça, em parceria com o Ministério das Mulheres, a iniciativa reunirá magistradas, integrantes do Ministério Público, defensoras públicas, pesquisadoras e representantes da sociedade civil para discutir a presença feminina nas instituições e nas decisões que afetam a população.
A programação inclui discussões sobre violência contra as mulheres, segurança pública, inteligência artificial, relações de trabalho, desigualdade nos cargos de liderança e justiça socioambiental. O objetivo é debater como ampliar a participação feminina na formulação de políticas públicas e na transformação das instituições.
Mulheres ainda são minoria
Apesar de representarem 51,5% da população brasileira, as mulheres ocupam uma parcela menor dos principais cargos de decisão. No Supremo Tribunal Federal (STF), apenas uma das 11 cadeiras é ocupada por uma mulher. Em meio à discussão sobre a representatividade na Corte, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos das mulheres negras articulam o nome da promotora de Justiça baiana Lívia Sant’Anna Vaz para uma possível indicação ao tribunal, como antecipado pelo Metro1. Em 135 anos de história, o STF nunca teve uma mulher negra entre seus ministros.
No Superior Tribunal de Justiça (STJ), são seis ministras entre os 33 integrantes. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que as mulheres correspondem a 38% da magistratura. A participação cai de 40% no primeiro grau para 21% no segundo grau e nos tribunais superiores. A desigualdade também aparece no recorte racial: mulheres negras representam 19% das magistradas, embora correspondam a 56% da população feminina brasileira. Na política, elas são 34,8% das candidaturas de 2026 e ocupam 21,9% das cadeiras do Senado.
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