Política

"Processo de impeachment foi aberto por chantagem de Cunha", reafirma Dilma

Em sua defesa no processo de impeachment que sofre no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ressaltou em discurso na Casa, na manhã desta segunda-feira (29), que há uma parcialidade nas teses contra ela. Segundo a petista, as acusações contra ela são "meros pretextos embasados por uma frágil retórica política". "Fica claro a parcialidade na construção das teses por eles defendidas. [Leia mais...]

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Foto : Agência Brasil

Por Matheus Morais e Gabriel Nascimento no dia 29 de Agosto de 2016 ⋅ 10:43

Em sua defesa no processo de impeachment que sofre no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ressaltou em discurso na Casa, na manhã desta segunda-feira (29), que há uma parcialidade nas teses contra ela. Segundo a petista, as acusações contra ela são "meros pretextos embasados por uma frágil retórica política". "Fica claro a parcialidade na construção das teses por eles defendidas. São pretextos pra derrubar por meio de impeachment, um governo legítimo, escolhido em eleição direta. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas. Pretextos pra viabilizar um golpe na constituição que se consumado irá contribuir para um governo usurpador, que não tem mulheres comandando ministérios, quando o povo escolheu uma mulher pra governar o país. Revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014. O que está em jogo são as conquistas dos últimos anos, os ganhos da população, as proteção as crianças, jovens, as universidades, as escolas técnicas, a valorização do salário mínimo, a realização do sonho da casa própria", destacou. 

Para a presidente Dilma Rousseff, o que está em jogo neste momento é a "autoestima dos brasileiros que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão". "A capacidade do Brasil de realizar com sucesso a Copa do Mundo, as olimpíadas e paralimpíadas. O governo interino é um ataque.  O resultado será mais pobreza, mais mortalidade, e a decadência dos pequenos municípios. Tudo fizeram pra desestabilizar a mim e meu governo. Só é possível entender a crise levando em consideração a instabilidade política aguda. Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o país. O que se pretendeu foi a afirmação do quanto pior melhor pra desgastar o governo, pouco importando os danos disso para a população", completou. 

Na oportunidade, a petista afirmou que o risco político causado por parcela da oposição foi o fator principal para a retração do desenvolvimento. "Os projetos enviados pelo governo à Câmara, presidida na época Cunha foram rejeitados, pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas. As comissões permanentes em 2016 só funcionaram a partir do dia  5 de maio. Uma semana antes do início do impeachment. Sabem que funcionamento dessas instituições é indispensável. Foi criado assim, o desejado o ambiente de instabilidade política. Propicio a abertura do processo sem crime. Sem essas ações o brasil estaria em uma situação melhor. Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam sem pensar nas consequências que trariam. Queriam aproveitar a crise", ressaltou. 

Dilma disse ainda que o "golpe" teve apoio escancarado de setores da mídia para desconstruir seu governo. 

"Todos sabem que esse processo de impeachment foi aberto por uma chantagem de Cunha. Como chegou a reconhecer em declarações a imprensa. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse pra que deputados do meu partido não votassem contra ele. Nunca aceitei na minha vida chantagem. Não ter me curvado a essa chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade. Se eu tivesse me acumpliciado com o que há de pior na política brasileira, eu não correria o risco de ser condenada injustamente. Quem se acumplicia ao imoral não tem respeitabilidade pra governar o pais", disse. 

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