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BC determina bloqueio de mais de R$ 11 milhões da mulher de Cabral

O Banco Central (BC) determinou, nesta segunda-feira (21), o bloqueio de mais de R$ 11 milhões das contas da mulher do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preso na última quinta-feira (17). O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos em primeira instância da Operação Lava-Jato, expediu uma ação criminal solicitando o bloqueio dos valores de Adriana Ancelmo e em contas da empresa Ancelmo Advogados. [Leia mais...]

BC determina bloqueio de mais de R$ 11 milhões da mulher de Cabral

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Por: Yasmin Garrido no dia 21 de novembro de 2016 às 17:02

O Banco Central (BC) determinou, nesta segunda-feira (21), o bloqueio de mais de R$ 11 milhões das contas da mulher do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, preso na última quinta-feira (17). O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos em primeira instância da Operação Lava-Jato, expediu uma ação criminal solicitando o bloqueio dos valores de Adriana Ancelmo e em contas da empresa Ancelmo Advogados.

A solicitação foi feita no mesmo dia da prisão de Cabral, suspeito de desviar mais de R$ 220 milhões de verba pública. Mais oito pessoas foram presas na operação, todas por suspeita de desvios em obras do governo estadual feitas com recursos federais.

O BC apreendeu o montante de R$ 10 milhões em uma das contas pessoais de Adriana. O restante do valor foi encontrado em outras três contas da empresa vinculada a ela. Moro solicitou que o BC investigasse ainda duas outras contas bancárias da mulher de Cabral, mas nenhum valor foi encontrado. No total, foram apreendidos R$ 11.000.094,67.

Lavagem de dinheiro

Adriana Ancelmo já tinha sido alvo de condução coercitiva no dia 17 de novembro, conduzida pela Polícia Federal para depor sobre as investigações que culminariam na prisão de Sérgio Cabral pela Operação Lava-Jato. Ela é citada nos dois despachos que decretaram a prisão preventiva do ex-governador: um do juiz Sergio Moro, de Curitiba, e outro do juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

A mulher do ex-governador é suspeita de lavagem de dinheiro e de ser beneficiada do esquema criminoso comandado pelo marido. Adriana é advogada e sócia-proprietária de um escritório de advocacia no Rio de Janeiro. Na Operação Lava-Jato, foram identificados pagamentos em dinheiro vivo feitos por Adriana, que reforçam a suspeita de que a lavagem se daria pela aquisição de bens, também com pagamentos ou depósitos em espécie.  

De acordo com o MPF, onze depósitos feitos por Adriana a fornecedores ocorreram entre dezembro de 2009 e agosto de 2015, somando o montante de R$ 949.985,01. Na lista de objetos adquiridos pela advogada estão móveis, dois mini bugs e equipamentos gastronômicos. “Pagamentos vultosos em espécie, embora não sejam ilícitos, constituem expediente comumente utilizado para prevenir rastreamento e ocultar transações financeiras”, escreveu o juiz Sergio Moro.

Para o juiz federal, as transações parecem ter sido feitas de forma a evitar uma possível fiscalização do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que recebe informações relativas a movimentações superiores a R$ 10 mil. No caso de Adriana, depósitos para o pagamento de móveis em uma empresa de marcenaria foram feitos em parcelas de aproximadamente R$ 9 mil, em diversas parcelas e mais de uma parcela no mesmo mês.

Para o juiz Sérgio Moro, a “explicação provável” para as operações seria “a intenção de ocultação e dissimulação, indicativo da origem e natureza criminosa dos valores envolvidos”.