Política

Construção de prédio da Petrobras na Pituba teve R$ 68 milhões em propina

O valor corresponde a 10% do montante da obra, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF)

[Construção de prédio da Petrobras na Pituba teve R$ 68 milhões em propina]
Foto : Reprodução/Google Street View

Por Matheus Simoni no dia 23 de Novembro de 2018 ⋅ 11:13

Investigadores da Operação Lava Jato detalharam a 56ª Fase da ação, denominada Operação Sem Fundos, que teve mandados cumpridos em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Segundo os membros da força-tarefa, as empreiteiras OAS e a Odebrecht realizaram o pagamento de propina de pelo menos R$ 68,295 milhões ao PT e a ex-dirigentes da Petrobras e da Petros pela construção da Torre Pituba, empreendimento que serve como sede da estatal na capital baiana.

O valor corresponde a 10% do montante da obra, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Estão sendo cumpridos 68 mandados de busca e apreensão, 8 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de prisão temporária. A investigação aponta ainda que o esquema fraudulento teve como objetivo promover desvios nos contratos da estatal e no fundo de pensão investidor, este mantido mediante patrocínio da própria Petrobras e das contribuições de seus empregados.

Delatores da operação afirmam que a propina era embutida no valor da construção. Para os procuradores, as vantagens indevidas causaram ‘prejuízo expressivo à Petrobras, já que o montante de aluguel pelo qual se comprometeu e vem pagando é calculado sobre o valor total do empreendimento’. Em valores corrigidos pela inflação, o valor total do empreendimento chega a mais de R$ 1,3 bilhão.

Segundo a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler, a obra foi superfaturada, o que encareceu o contrato de aluguel futuro da Petrobras. "Inicialmente (o projeto) era previsto R$ 320 milhões, saltou para R$ 700 milhões e depois foram acrescentados mais R$ 158 milhões. Esse projeto acabou somando R$ 1,3 bilhão. A Petrobras se comprometeu, em valores de 2016, em mais de R$ 1,4 bilhão, como projeção de aluguéis que iria pagar no futuro, portanto, superiores ao que deveria estar pagando", disse. 

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, o ex-presidente da Petros Wagner Pinheiro e empresas ligadas a ele foram alvo de buscas. Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, e o marqueteiro ligado ao PT Valdemir Garreta são alvo de mandados de prisão temporária.

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