Política

Congresso vê Bolsonaro como 'incapaz de governar' e debate semiparlamentarismo

Insatisfação com o Planalto é compartilhada pelo mundo empresarial e financeiro, segundo a Folha

[Congresso vê Bolsonaro como 'incapaz de governar' e debate semiparlamentarismo]
Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Juliana Rodrigues no dia 26 de Maio de 2019 ⋅ 09:00

Líderes dos partidos que comandam atualmente o Congresso Nacional definiram um pacote de medidas para limitar o raio de ação do presidente Jair Bolsonaro e tocar por conta própria temas considerados cruciais pelo empresariado e pelo mercado, como as reformas da Previdência e tributária. 

Congressistas afirmaram à Folha de S. Paulo que o chefe do Executivo nacional tem demonstrado "incapacidade de governar", o que trouxe à tona um debate sobre impeachment com apenas cinco meses de gestão e a reativação das discussões sobre a mudança do sistema de governo do presidencialismo para algo próximo ao parlamentarismo. A insatisfação é compartilhada pelo mundo empresarial e financeiro. 

"Temos que ter o mínimo de estabilidade no país. Para fazer isso, vai ser necessário ignorar o governo, não tem outra saída", diz o líder do DEM na Câmara, o deputado baiano Elmar Nascimento. As presidências das duas Casas são hoje comandadas pelo partido, através do deputado Rodrigo Maia (RJ) e do senador Davi Alcolumbre (AP). Ambos coordenam o bloco político conhecido como Centrão, um dos alvos dos protestos convocados hoje (26) pelos apoiadores de Bolsonaro.

Duas propostas de "semipresidencialismo" ou "semiparlamentarismo" estão prontas para serem discutidas. Caso aprovadas, devem começar a valer a partir de 2022. Uma é capitaneada pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE) e a outra pelo senador José Serra (PSDB-SP). Ambas têm o apoio de integrantes do STF, entre eles Gilmar Mendes. 

No novo sistema, o Congresso seria responsável pela gestão do país e escolheria um primeiro-ministro. O presidente, eleito por voto popular, seria mantido como chefe de Estado, com poderes reduzidos. No entanto, os projetos não devem ser apresentados neste momento, já que há o receio de que o movimento dê força ao discurso de que o Congresso age para derrubar o presidente.

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