Política

Odebrecht omitiu pagamentos de propina em delação, diz reportagem

Ao todo, segundo os registros, a Odebrecht pagou mais de US$ 788 milhões em propinas entre 2001 e 2016, resultando em US$ 3,3 bilhões em benefícios ilícitos

[Odebrecht omitiu pagamentos de propina em delação, diz reportagem]
Foto : Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Juliana Almirante no dia 26 de Junho de 2019 ⋅ 06:53

A empreiteira Odebrecht teria omitido pagamentos de propina na operação de compra de contratos, no acordo de leniência assinado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e as Procuradorias-Gerais da República do Brasil e da Suíça em dezembro de 2016.

É o que aponta reportagem da Época, com base em uma nova investigação global liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), denominada "The Bribery Division". 

Conforme a matéria, a empresa deixou de relatar o envolvimento de figuras proeminentes e projetos massivos de obras públicas nos processos criminais e outros inquéritos oficiais até agora. 

As descobertas foram feitas a partir de registros vazados de uma divisão da Odebrecht, o Setor de Operações Estruturadas, criado principalmente para gerenciar os subornos da empreiteira.

Os documentos foram obtidos pelo site equatoriano La Posta e compartilhados com o ICIJ e 17 parceiros de mídias nas Américas. No Brasil, além da Época, o site Poder 360 participou da investigação. As reportagens são publicadas a partir de hoje (26).

Os registros são de pagamentos secretos em toda a América Latina, incluindo: US$ 39 milhões em pagamentos secretos da empresa feitos em conexão com a gigante usina a carvão de Punta Catalina, na República Dominicana; 17 pagamentos totalizando cerca de US$ 3 milhões relacionados a um gasoduto peruano; e e-mails discutindo pagamentos secretos que um banco da Odebrecht fez a empresas fantasmas, relacionados à construção de um sistema de metrô de US$ 2 bilhões em Quito, capital equatoriana. 

Os registros também mostram pagamentos relacionados a uma dúzia de outros projetos de infraestrutura em países da região, incluindo cerca de US$ 18 milhões ligados ao sistema de metrô na Cidade do Panamá e mais de US$ 34 milhões ligados à Linha 5 do sistema de metrô em Caracas, Venezuela.

Os arquivos contêm 13 mil documentos que eram armazenados por essa divisão em uma plataforma secreta de comunicações, chamado "Drousys". Os documentos foram obtidos separadamente pela agência de notícias equatoriana Mil Hojas, que se uniu ao projeto.

Ao todo, segundo os registros, a Odebrecht pagou mais de US$ 788 milhões em propinas entre 2001 e 2016, resultando em US$ 3,3 bilhões em benefícios ilícitos, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Em nota ao ICIJ, a Odebrecht afirmou estar comprometida a cooperar com as autoridades que investigam casos de corrupção associados à empresa. “A Odebrecht continuará empenhada em um processo de colaboração irrestrita com as autoridades competentes”, declarou a compania, que não respondeu as perguntas da reportagem sobre casos individuais.

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