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Política

'Só um ingênuo não veria esse namoro com a quebra institucional', diz presidente da OAB

Felipe argumenta que o presidente e seus aliados ainda apoiam grupos virtuais que atacam jornalistas. 

['Só um ingênuo não veria esse namoro com a quebra institucional', diz presidente da OAB]
Foto : Fernando Frazão/Agência Brasil

Por Juliana Almirante no dia 31 de Julho de 2019 ⋅ 08:56

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (31), que apenas "um ingênuo" não enxergaria o risco de ruptura democrática no Brasil, após as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre seu pai, desaparecido durante a ditadura militar.

"Só um ingênuo não veria esse namoro com a quebra institucional. Acho que todas as instituições notadamente devem dar resposta a qualquer tipo de estratégia que vise a quebra institucional do nosso país, que já passou períodos terríveis de ruptura que causaram danos na nossa história", afirmou.

Felipe argumenta que o presidente e seus aliados ainda apoiam grupos virtuais que atacam jornalistas. 

"O presidente da República e alguns radicais que dão apoio ao presidente e operam milícias virtuais nas redes sociais, atacando os jornalistas em especial. Esses setores estão flertando, namorando, com a ruptura democrática. Me pergunto se todo esse ataque à figura da resistência democrática e enaltecimento a torturadores e à ditadura militar, se isso não é publicamente um teste de ruptura institucional. Acho que esse episódio é importante porque houve marco divisor, que passa muito além dos partidos. Recebemos solidariedade de todos os partidos, inclusive de deputados do partido do presidente", declarou. 

O presidente da OAB ainda disse que o presidente tem uma "obsessão" com a memória do seu pai, que é 
"injustificada". 

"Claro que isso nos choca e reabre feridas dolorosas, que atingem a família, os irmãos. A minha vó morreu há menos de um mês, uma mulher extremamente católica que passou 45 anos tentanto encontrar o corpo do filho", lamentou. 

Além de enfrentar a declaração enquanto filho, Felipe também destaca seu posicionamento enquanto presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. 

"E tem o lado que é meu, de presidente da OAB, de tentar compreender o papel que o presidente  desempenha de dividir o país e de acirrar ódios, de alterar o papel fundamental da presidência da República que é governar para todos. Tentar construir através da OAB diálogos em defesa da Constituição, do meio ambiente, dos direitos humanos", aponta. 

O presidente da OAB disse ainda que espera que o Supremo Tribunal Federal aceite uma interpelação feita por ex-presidentes da Ordem para que Bolsonaro esclareça as declarações sobre o seu pai. 

"É grave porque o presidente tem que observar a compostura do cargo. Ele não é capitão, ele é o presidente. Ele precisa recuperar a compostura do cagro e, para isso, é preciso que ele esclareça que, toda vez que ele diz, ele não está dizendo uma besteira em rede social, como uma pessoa irresponsável que não tem limites. Ele responde pela autoridade do cargo que exerce. É importante que ele vá ao STF e esclareça o que ele declarou", defendeu Felipe. 

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