Política

Briga no PSL: Celso Rocha de Barros diz que disputa é 'comum' quando há 'golpe de estado' 

Sociólogo explica que a guerra no PSL surgiu quando o presidente perdeu o controle do partido - assumido temporariamente durante as eleições - e tentou retomar, usando os próprios filhos

[Briga no PSL: Celso Rocha de Barros diz que disputa é 'comum' quando há 'golpe de estado' ]
Foto : Reprodução/ TV Globo

Por Juliana Almirante no dia 22 de Outubro de 2019 ⋅ 09:41

O sociólogo Celso Rocha de Barros afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (22), que a disputa interna que acontece dentro do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL, é "comum" quando há "golpe de estado", no entanto, "inédita" dentro de sistemas democráticos. 

"Se você pensar que Bolsonaro é um democrata que está tentando governar dentro das instituições e tentando formar coalizão como todos os outros presidentes, e está tentando governar dentro da lei, é inédito. Em uma democracia estável, o cara ganhar eleição e seis meses depois estar em guerra com o próprio partido, isso não tem caso. Mas se você pensar como um movimento revolucionário, golpista e subversivo, como queira chamar, isso é muito comum. Quando tem revolução e golpe de estado, a primeira coisa que acontece é briga fratecida dentro do partido que tem o movimento", avaliou. 

Celso explica que a guerra no PSL surgiu quando o presidente perdeu o controle do partido - assumido temporariamente durante as eleições - e tentou retomar, usando os próprios filhos. 

"Se você for para a origem disso, você vai ver que o PSL não foi fundado por Bolsonaro. É um partido que já existia e Bolsonaro fez um acordo com eles para concorrer à eleição. Durante a eleição, o grupo de Bolsonaro assumiu o controle do PSL, mas depois da eleição, o PSL voltou para as mãos dos fundadores do PSL. Desde então, Bolsonaro vem tentando reassumir o controle do partido, usando os filhos dele", justifica. 

O sociológo cita que Eduardo Bolsonaro chegou a ir para São Paulo fazer uma intervenção na disputa interna do PSL para garantir que o candidato à prefeitura no próximo ano seja uma pessoa muito próxima ao presidente. 

"A disputa estava entre Joice Hasselman e Major Olimpio. Eduardo Bolsonaro sem nenhuma sutileza resolveu dizer que ele que manda e todos que aceitem. Pegou muito mal, tanto para Olimpio quanto para Joice", explicou. 

Já no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro exigiu que os aliados do presidente e o PSL, em especial, apoiassem o deputado estadual Rodrigo Amorim, um dos que rasgaram a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, que é visto como radical.

"Flávio exigiu que os caras do PSL deixassem o governo Witzel e ninguém saiu. Foi uma vergonha. Foi uma tentativa de intervenção que deu errado", conta Celso. 

O sociólogo diz que, com as polêmicas envolvendo as contas do PSL, Jair Bolsonaro decidiu deixar a legenda e isolar a sigla. 

"Então o ambiente já vinha tenso por muito tempo por causa dessa tentativa de Bolsonaro de adquirir o controle total do PSL e de abafar qualquer autonomia das instâncias do partido. Com o escândalo, isso vai ter outra dimensão, porque hoje o que Bolsonaro quer fazer é sair do PSL e deixar o escândalo com o PSL. O que é injusto, porque tem escândalo na campanha dele também. Só que os deputados que saírem com ele perdem o mandato e não levam consigo o dinheiro do fundo partidário", disse.

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