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Política

MP-RJ ignorou eventual adulteração em gravações da portaria de Bolsonaro

Segundo reportagem da Folha, as bases da perícia teriam sido feitas a toque de caixa na quarta-feira (30), antes da entrevista coletiva dada à imprensa sobre o caso

[MP-RJ ignorou eventual adulteração em gravações da portaria de Bolsonaro]
Foto : Reprodução/ TV Globo

Por Juliana Almirante no dia 01 de Novembro de 2019 ⋅ 08:20

Documento apresentado à Justiça aponta que a perícia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no sistema de gravações da portaria do condomínio do presidente Jair Bolsonaro não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ter sido entregue às autoridades.

De acordo com a Folha, foi com base nessa análise que a promotoria classificou como falsa a declaração do porteiro do condomínio Vivendas da Barra contra o presidente. 

As promotoras envolvidas no caso sustentam que o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL), foi quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz, ex-PM também envolvido no crime.

O documento mostra também que as bases da perícia teriam sido feitas a toque de caixa na quarta-feira (30), antes da entrevista coletiva dada à imprensa sobre o caso. 

Em nota, o MP-RJ disse que o objetivo da perícia era somente instruir a ação penal contra os acusados de matar a vereadora, provando o encontro dos dois réus. 

A Promotoria afirma ainda que espera autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para continuar a investigação que apura quem é o mandante do crime. Até então, esse é o procedimento no qual o nome do presidente foi citado.

Conforme o MP-RJ, há registro de interfone para a casa 65 (enquanto a casa de Bolsonaro é a de número 58), e a entrada de Élcio foi autorizada pelo morador do imóvel, Ronnie Lessa.

A mídia com a gravação foi entregue à Polícia Civil no último dia 7, pelo síndico do condomínio. A entrega ocorreu dois dias depois de os policiais terem feito busca e apreensão na portaria do Vivendas da Barra, em busca da planilha de controle de entrada de visitantes.

Segundo a reportagem, documento aponta que os técnicos não tiveram acesso ao computador de onde os dados foram retirados. Ouvido pela Folha, o presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, disse que, sem acesso à máquina em que os arquivos foram gravados, não é possível identificar se um arquivo foi apagado ou renomeado. 

A perícia também foi alvo de críticas da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais. "É temerário o possível arquivamento de uma notícia de fato sem que tenha havido a solicitação do devido exame pericial oficial. Isso abre espaço para que tome conta do debate uma guerra de versões e opiniões, distantes da materialidade dos fatos", afirma nota do presidente da associação, Marcos Camargo.

Os documentos da Justiça apontam ainda que as promotoras do caso só enviaram na quarta-feira ao setor técnico as questões a serem respondidas sobre as gravações. O MP-RJ declara ter tido acesso aos arquivos no dia 15 de outubro.

Os autos da Justiça também não mencionam arquivos do circuito interno de TV do condomínio, para averiguar a versão de que Élcio entrou apenas uma vez no local naquele dia. Segundo a promotoria, não há, 17 meses após o crime, imagens de circuito interno do condomínio disponíveis.

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